Enquanto muitas crianças assistem a filmes apenas como entretenimento, Paulo Victor dos Santos Silva, de 21 anos, passava horas imaginando o que acontecia por trás das câmeras. Aos 11 anos, tomou uma decisão que mudaria sua vida: faria faculdade de Cinema.
O sonho, que parecia distante para quem cresceu longe dos grandes polos do audiovisual brasileiro, ganhou forma em Sinop. Foi para a cidade que ele se mudou em busca da graduação e da oportunidade de transformar a paixão de infância em profissão.
“Desde a minha infância eu assistia muitos filmes e séries. Nunca bastou apenas assistir, eu queria saber como era feito. Desde os 11 anos eu já sabia que queria fazer faculdade de Cinema”, conta o estudante.
A história de Paulo Victor representa uma realidade cada vez mais presente no norte de Mato Grosso. Com a formação universitária em Cinema e Mídias Digitais e o fortalecimento do setor audiovisual, jovens têm encontrado na região um caminho para desenvolver projetos, produzir filmes e construir carreira sem precisar deixar o estado.

Nem sempre o percurso foi fácil. Segundo estudantes e profissionais da área, produzir cinema longe dos grandes centros ainda exige criatividade para superar limitações de mercado, financiamento e estrutura. “No começo foi bem difícil fazer cinema por aqui. Essa é a grande dificuldade”, afirma o cineasta Matheus Prado.
Mesmo assim, quem escolhe permanecer em Mato Grosso acredita que o estado vive um momento de crescimento. Além da formação acadêmica, editais e leis de incentivo têm ampliado as possibilidades para novos projetos.
Para Paulo Victor, estudar Cinema em Sinop tem um significado especial. “Para mim é muito especial, principalmente porque vim de fora para cursar Cinema em Sinop. É mostrar que a gente é capaz também.”
Segundo o coordenador do curso de Cinema e Mídias Digitais, Leandro Nascimento, o cinema vai muito além do entretenimento e desperta emoções, reflexões e diferentes formas de enxergar a realidade. “O cinema vai além da sétima arte. Ele desperta encantamento, faz rir, emociona e provoca diferentes sentimentos.”
Observar o cotidiano também faz parte da formação de quem deseja contar boas histórias. Para Matheus Prado, a inspiração está justamente nas pequenas cenas da vida. “Qualquer contador de histórias, seja cineasta ou escritor, precisa estar observando o que existe de extraordinário em cada cena.”
Um exemplo de que esse caminho pode dar frutos é o ator Adriano Mendonça. Natural de Sinop, ele leva as raízes da cidade para a carreira construída em São Paulo, mostrando que talentos do interior de Mato Grosso também podem conquistar espaço em produções nacionais.
Além dos sonhos individuais, o setor ganha força com políticas de incentivo. De acordo com a diretora de Cultura, Cleusa Ost, mecanismos como a Lei de Incentivo à Cultura ajudam a ampliar a produção audiovisual e permitem que artistas desenvolvam projetos sem precisar migrar para outros estados.
“Nós temos a Lei de Incentivo do Governo Federal. Isso é muito bom porque as pessoas não precisam se deslocar para outros estados e podem levar o nome da cidade”, disse.
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