Inseticida natural criado na Unemat promete combater praga que ameaça lavouras

Um inseticida natural encapsulado desenvolvido por cientistas da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) pode ser a nova arma de combate a uma das pragas mais temidas do agronegócio: a lagarta-do-cartucho.

A inovação biotecnológica chama atenção também por ter como matéria-prima a Apeiba tibourbou, árvore nativa da flora brasileira popularmente conhecida como pente-de-macaco.

Lagarta-do-cartucho, conhecida como uma das maiores pragas do agronegócio, pode ser combatida com inseticida natural criado em MT. – Reprodução

Os responsáveis pelo desenvolvimento do inseticida encapsulado são cientistas do Centro de Pesquisa e Tecnologia da Amazônia Meridional, do campus da Unemat de Alta Floresta (MT).

Conforme a coordenadora do projeto, professora e doutora em Engenharia Florestal, Juliana Garlet, o produto é uma tecnologia sustentável que aumenta a eficácia dos inseticidas botânicos e minimiza impactos ambientais.

A lagarta Spodoptera frugiperda é uma velha conhecida de agricultores brasileiros, que consegue se alimentar de uma vasta gama de plantas. São mais de 350 espécies hospedeiras registradas no Brasil, inclusive gramíneas e plantios florestais.

Apesar de pequena, ela causa desfolhamento severo e destrói o ponto de crescimento de cultivos como milho, soja, algodão e arroz.

No milho, por exemplo, sua voracidade é ainda maior, com um ataque direto ao “cartucho” da planta, que pode provocar perdas de até 70% na produção quando não combatida de forma adequada.

Coordenadora do projeto, Juliana Garlet, ao centro da foto, acompanhada os demais pesquisadores envolvidos no projeto. - Foto: Unemat
Coordenadora do projeto, Juliana Garlet, ao centro da foto, acompanhada os demais pesquisadores envolvidos no projeto. – Foto: Unemat

Atualmente, a produção agrícola depende do controle químico intensivo e até lavouras transgênicas.

Mas, o uso excessivo desses métodos acabou acelerando a seleção de populações de lagartas super-resistentes e criando a urgência por novos compostos ecológicos, segundo a coordenadora do projeto.

Árvore nativa como aliada

A árvore da espécie Apeiba tibourbou é a grande aliada no projeto desenvolvido em Alta Floresta. Ela chega a medir entre 10 e 15 metros de altura, desenvolvendo frutos espinhosos e metabólitos, ou compostos químicos secundários, como taninos e terpenoides em suas folhas.

É justamente o extrato bruto dessas folhas que funciona como um potente inseticida natural, como demonstraram as pesquisas.

Entretanto, os inseticidas botânicos são fotoinstáveis, ou seja, estragam rapidamente quando expostos ao sol, calor e oxigênio do campo, perdendo o efeito residual em pouco tempo.

Árvore Apeiba tibourbou, ou pente-de-macaco, é matéria-prima de inseticida biológico desenvolvido na Unemat. - Foto: Reprodução
Árvore Apeiba tibourbou, ou pente-de-macaco, é matéria-prima de inseticida biológico desenvolvido na Unemat. – Foto: Reprodução

Para blindar o princípio ativo da planta, a pesquisa desenvolvida na Unemat apostou na tecnologia do encapsulamento, técnica que funciona como uma “embalagem” das moléculas do extrato vegetal, que ficam dentro de estruturas protetoras feitas de materiais solúveis de baixo custo.

Infográfico científico

Fonte: Unemat

A professora Juliana Garlet explica que o encapsulamento cumpre três funções de grande importância: protege o composto contra a degradação solar, facilita o transporte e manejo pelo agricultor e permite que o princípio ativo seja liberado de forma controlada na lavoura, diminuindo a quantidade de aplicações necessárias.

Expectativa para o mercado

O projeto segue em testes biológicos em laboratórios, acompanhado do processo de criação dos insetos.

A meta agora é gerar formulações que alcancem a mortalidade igual ou superior a 80% das lagartas em até 72 horas, competindo em igual escala com os produtos comerciais sintéticos, mas sem agredir o meio ambiente.

Ao final desse processo, devem ser realizados testes em casa de vegetação, que é um tipo de estrutura coberta, e em campo, para análises do potencial inseticida em condições reais do ataque do inseto-praga.

Infográfico científico

Fonte: Unemat

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