O mercado estadual do algodão registrou uma importante recuperação ao longo do mês de julho, período em que as lavouras mato-grossenses alcançaram níveis históricos de produtividade por hectare. No entanto, mesmo com o excelente desempenho agrícola no campo, a retranca significativa na área cultivada deverá resultar em uma colheita total menor no estado de Mato Grosso nesta safra, conforme apontam os levantamentos recentes.
As paridades de exportação da pluma apresentaram forte avanço mensal, impulsionadas pela recuperação das cotações no cenário internacional. O contrato com vencimento para julho de 2027 fechou a média cotado a R$ 145,06 por arroba, o que representa um salto expressivo de 13,93% sobre o mês de junho. Da mesma forma, o contrato com vencimento em dezembro de 2026 encerrou em alta de 1,94%, atingindo a média de R$ 135,31 por arroba.
Influência externa e recorde de produtividade
De acordo com as análises do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a valorização da fibra foi fortemente influenciada pela alta dos contratos futuros na Bolsa de Nova York (ICE). As incertezas em torno da safra norte-americana, agravadas por adversidades climáticas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos, elevaram a apreensão quanto à oferta global e garantiram sustentação aos preços internacionais.
Dentro da porteira, a produtividade das lavouras em Mato Grosso foi revisada para cima, alcançando a marca histórica de 315,33 arrobas por hectare — um crescimento de 1,5% em comparação à projeção anterior. Conforme o Imea, o índice estabelece um novo recorde de produtividade estadual, alavancado pelas condições climáticas favoráveis registradas ao longo do ciclo de desenvolvimento das plantas.
Redução de área e projeção de safra
Apesar da alta eficiência e do recorde de produtividade por hectare, o ganho técnico não foi suficiente para compensar a retração na área cultivada. A estimativa consolidada permanece em 1,38 milhão de hectares plantados, o que representa uma queda de 11,11% em relação à safra anterior. Segundo o instituto, a diminuição da área decorre diretamente dos elevados custos de produção acumulados pelos cotonicultores durante o período de semeadura.
Com essa composição entre menor extensão de plantio e maior rendimento por área, a produção total de algodão em caroço foi projetada em 6,51 milhões de toneladas. O volume traduz uma alta de 1,5% frente à estimativa de julho, mas ainda acumula um recuo de 11,06% em comparação ao ciclo passado.
O cenário evidencia que, embora a tecnologia e o manejo tenham amortecido os impactos negativos, a quebra de área reduziu o volume colhido. Para os próximos meses, o comportamento da demanda internacional e o desenrolar da safra nos Estados Unidos continuarão ditando o ritmo dos preços da fibra no mercado.
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