A busca por decisões mais precisas no campo passa cada vez mais pela capacidade de transformar grandes volumes de dados em informações confiáveis. Em um cenário de avanço tecnológico, novas pragas e doenças, a inteligência artificial começa a ganhar espaço dentro da pesquisa agrícola. O tema foi abordado pelo engenheiro agrônomo Romão Viana, diretor-presidente da Fundação MT, convidado do novo episódio do podcast Agro de Primeira MT.
Segundo Viana, a Fundação MT vem trabalhando no desenvolvimento de uma inteligência artificial própria para analisar o grande volume de informações produzido pelos experimentos da instituição. A ideia é usar a tecnologia para organizar e interpretar dados e, em seguida, transformá-los em recomendações de manejo que possam chegar ao produtor.
“Então, a gente tem feito, investigado uma inteligência artificial interna para poder buscar, garimpar informações diante de muitos GB de informações para que isso depois seja traduzido numa recomendação de manejo”, explicou durante o episódio.
Veja o episódio completo:
A iniciativa acompanha uma mudança no perfil da pesquisa agrícola. A Fundação MT conduz protocolos experimentais em diferentes regiões de Mato Grosso justamente porque as condições de solo, clima e sistemas de produção variam dentro do Estado. Segundo Viana, atualmente são mais de 400 hectares destinados a pesquisas, distribuídos em diferentes áreas.
Para o diretor-presidente, porém, não basta acumular informações. É necessário garantir que os dados utilizados tenham qualidade suficiente para sustentar decisões técnicas. Por isso, os experimentos passam por planejamento, acompanhamento e avaliação estatística antes que os resultados sejam transformados em recomendações.
“Se não tiver qualidade experimental, o dado ele não é factível, ele não é verossímil. Ele não expressa a verdade”, afirmou.
A preocupação ganha importância diante da velocidade com que novas tecnologias e informações chegam ao campo. Viana defende que a pesquisa precisa acompanhar esse ritmo sem abrir mão de dois princípios que, segundo ele, são fundamentais para a Fundação MT: credibilidade e imparcialidade.
“Nós trabalhamos em prol da sustentabilidade da agricultura a partir do resultado de pesquisa que buscamos desenvolver”, disse.
Da pesquisa para a decisão do produtor
A transformação dos dados em decisões é considerada uma das etapas mais importantes desse processo. A Fundação MT atua também na difusão das informações por meio de encontros e rodadas técnicas, aproximando pesquisadores, consultores e produtores.
Viana afirma que o modelo de transferência de conhecimento também está mudando. Os tradicionais dias de campo, que chegaram a reunir milhares de pessoas, perderam espaço para formatos mais específicos, como as rodadas técnicas voltadas a problemas determinados, a exemplo do caruru e dos nematoides.
A mudança acompanha um produtor que, segundo ele, está cada vez mais aberto à tecnologia e à inovação. Nesse contexto, a pesquisa precisa não apenas produzir conhecimento, mas fazer com que ele chegue de maneira rápida e confiável a quem toma as decisões dentro da propriedade.
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