Golpistas usam nome de facção para ameaçar e extorquir moradores em Campo Grande

Após caírem em golpes, moradores de Campo Grande procuraram a polícia para denunciar criminosos que utilizam o nome da facção criminosa Comando Vermelho (CV) para intimidar e extorquir dinheiro por meio de ameaças feitas por telefone e mensagens.

Golpes foram registrados em Campo Grande. (Foto: Divulgação/PCMS)

Os casos foram registrados neste domingo (17) na capital e foram marcados pela pressão psicológica exercida pelos criminosos, que usam dados pessoais das vítimas para tornar a abordagem mais convincente.

Em um dos casos, registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), uma mulher relatou que recebeu uma ligação de um homem que se apresentou como integrante do Comando Vermelho.

Durante a conversa, o suspeito citou o endereço da vítima, nomes de familiares e afirmou que a facção “comandava” a região onde ela mora.

Segundo o boletim de ocorrência, o golpista dizia cobrar uma taxa de moradores da região e afirmou que após o pagamento, ela passaria a contar com a “proteção” da facção criminosa. 

A vítima contou ainda que foi ameaçada de morte e coagida emocionalmente durante a ligação. “A abordagem desse golpe é completamente diferente, eles são muito convincentes”, explica a mulher.

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Mensagens enviadas pelo golpista que usava o nome da facção para coagir vítima a transferir dinheiro. (Imagens: cedidas pela vítima)

Segundo a vítima, o criminoso falava sobre um suposto caderno onde o nome dela seria registrado após o pagamento. Em outro momento, teria questionado se ela era ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e insinuado que caso ela recusasse, estaria “fechando” ou se juntando com a facção rival.

“Eu disse que não queria e ele perguntou se eu era do PCC então, se eu queria fechar com a outra facção e ser inimiga deles”, relatou. 

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Homem enviava mensagens ameaçando a vítima. (Imagens: cedidas pela vítima)

Ainda conforme o relato, após ver a conta bancária da vítima durante a transferência, o suspeito teria ficado agressivo ao perceber que ela possuía mais dinheiro disponível.

A mulher chegou a fazer um pix de R$ 991, mas contestou a operação logo em seguida junto ao banco. Depois disso, passou a receber mensagens com ameaças contra ela e a família.

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Mulher foi ameaçada pelo golpista. (Imagens: cedidas pela vítima)

Golpistas usam informações pessoais para manipular vítimas

Outro caso parecido foi registrado no Jardim São Conrado, também neste domingo (17). Um homem de 42 anos relatou à polícia que recebeu mensagens de um número desconhecido no WhatsApp.

O suspeito enviou fotos da vítima, endereço residencial e afirmou que ele teria uma dívida com uma garota de programa supostamente ligada à facção.

Segundo o b.o, a vítima afirmou ao golpista que teria um parente que era militar e iria consultar ele, o homem disse que “não tinha medo de polícia”.

De acordo com o boletim, o criminoso também falou que integrantes do grupo iriam até a casa da vítima para “dar um salve geral” e matar familiares caso o valor não fosse pago.

Com medo, o homem realizou diversas transferências via PIX, que somaram mais de R$ 12 mil. Mesmo após os pagamentos, o suspeito continuou fazendo ligações e exigindo mais dinheiro.

O que fazer ao ser abordado pelos golpistas

A orientação é desconfiar e redobrar a atenção antes de fazer qualquer pagamento ou compartilhar dados pessoais, segundo o advogado especialista em direito digital Raphael Chaia.

“O que a gente sempre recomenda é evitar permitir que o golpista use o seu medo ou use seu nervosismo como um gatilho para que você pratique um ato impensado.”

Raphael Chaia

O advogado reforça que ao receber alguma mensagem ou ligação pedindo dinheiro, o pagamento não deve ser feito. “Entrou em contato com você pedindo um Pix, ou alguma coisa, não faça o pagamento.”, alerta.

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