Fundo Desenvolve Floresta aprova R$ 3,87 milhões para pesquisa, xiloteca e estudo de biomassa em Mato Grosso

O Conselho Gestor do Fundo Desenvolve Floresta aprovou, nesta quinta-feira (22), três projetos que somam R$ 3,87 milhões para fortalecer a produção sustentável, a pesquisa científica e a competitividade do setor florestal em Mato Grosso. Segundo informações da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), a decisão foi tomada durante a 2ª Reunião Extraordinária do colegiado, realizada na sede da secretaria. As iniciativas envolvem a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem) e o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Os investimentos abrangem três frentes: identificação científica de espécies de madeira, pesquisa sobre árvores nativas da Amazônia e levantamento da oferta e da demanda de biomassa. O objetivo é ampliar a base técnica disponível para produtores e indústrias, melhorar o planejamento da produção e apoiar decisões relacionadas ao aproveitamento de recursos florestais.

De acordo com a secretária adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia, Linacis Silva Vogel Lisboa, os projetos devem contribuir para enfrentar dificuldades da cadeia produtiva, desde a obtenção de matéria-prima até a comercialização da madeira. A avaliação da secretaria é que os recursos destinados à pesquisa e à tecnologia podem ampliar a segurança técnica das operações e fortalecer as empresas do setor.

Identificação científica de madeiras recebe R$ 1,49 milhão

O projeto apresentado pelo Cipem receberá R$ 1,49 milhão para implantar uma xiloteca e uma estrutura especializada na emissão de laudos anatômicos de madeira. Uma xiloteca funciona como uma coleção científica de amostras, organizada para permitir a identificação e a comparação de diferentes espécies.

A estrutura deverá auxiliar empresas na identificação correta das madeiras comercializadas, além de atender a exigências técnicas relacionadas ao comércio e à exportação. A iniciativa também busca reduzir custos e atrasos associados aos procedimentos de identificação.

Segundo o diretor-executivo do Cipem, Valdinei Bento dos Santos, ampliar essa capacidade técnica no estado é importante diante das exigências dos mercados internacionais. A estrutura prevista poderá oferecer suporte especializado às empresas exportadoras, que precisam comprovar a identificação das espécies em seus processos comerciais.

A identificação anatômica é uma ferramenta técnica que permite examinar características da madeira para auxiliar na determinação de sua espécie. Esse trabalho pode contribuir para a rastreabilidade e para a verificação dos produtos comercializados, embora a conformidade de cada operação dependa também dos documentos e dos demais requisitos aplicáveis.

UFMT terá R$ 1,97 milhão para pesquisar espécies nativas

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), por meio do campus de Sinop, receberá R$ 1,97 milhão para executar o projeto Pró-nativas: Vitrines Florestais Amazônicas. A proposta prevê a implantação de áreas experimentais em Sinop, Lucas do Rio Verde e Alta Floresta.

Os espaços serão utilizados para estudar o crescimento, a produtividade e o potencial de utilização industrial de espécies florestais nativas da Amazônia. A pesquisa pretende produzir informações que ajudem a avaliar quais espécies podem apresentar potencial para diferentes usos produtivos.

Os resultados poderão orientar produtores rurais e empresas interessados em diversificar a produção florestal. A avaliação das espécies em áreas experimentais também poderá ampliar o conhecimento sobre seu desenvolvimento e sua viabilidade para aplicações industriais. Esses resultados, no entanto, dependerão dos dados obtidos ao longo dos estudos.

A diversificação é relevante para o planejamento de atividades florestais porque permite comparar alternativas de produção, usos da matéria-prima e características de desenvolvimento das espécies. A pesquisa poderá fornecer subsídios técnicos para decisões futuras, sem garantir previamente a rentabilidade de cada alternativa.

Diagnóstico de biomassa terá investimento de R$ 400 mil

O terceiro projeto aprovado receberá R$ 400 mil e será desenvolvido pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). O trabalho fará um diagnóstico da oferta e da demanda de biomassa no estado, com foco na disponibilidade de madeira e de resíduos agrícolas e florestais utilizados para geração de energia.

O levantamento também deverá analisar as necessidades das indústrias consumidoras, especialmente das usinas de etanol de milho. Essas unidades utilizam energia em seus processos produtivos, o que torna importante conhecer as fontes disponíveis e a capacidade de atendimento da demanda industrial.

O diagnóstico poderá ajudar a identificar diferenças entre a quantidade de biomassa disponível e o volume necessário para atender às atividades industriais. Essas informações são úteis para o planejamento do abastecimento, a avaliação de alternativas energéticas e a identificação de possíveis limitações logísticas.

O estudo, entretanto, não representa por si só a contratação de fornecedores ou a garantia de fornecimento de matéria-prima. A efetividade das medidas futuras dependerá dos resultados do levantamento e das decisões tomadas a partir dos dados coletados.

Como os investimentos podem contribuir para o setor florestal

Os três projetos atuam em etapas diferentes da cadeia produtiva. Enquanto a xiloteca busca ampliar a capacidade de identificação científica das madeiras, as vitrines florestais devem produzir conhecimento sobre espécies nativas e o diagnóstico do Imea pretende mapear recursos disponíveis para uso energético.

Em conjunto, os estudos poderão fornecer informações para melhorar o planejamento produtivo, apoiar a avaliação de matérias-primas e orientar decisões de empresas e produtores. A aplicação prática dependerá da execução dos projetos, da qualidade dos dados produzidos e de sua utilização pelos agentes econômicos.

Para acompanhar os resultados, será importante observar a implantação das estruturas previstas, a divulgação dos estudos e a disponibilidade de informações sobre os benefícios alcançados. Até a aprovação anunciada pela Sedec-MT, os valores autorizados estavam distribuídos entre três iniciativas com objetivos específicos, e não há, no material divulgado, indicadores de resultados já alcançados.

Distribuição dos recursos aprovados

  • Cipem: R$ 1,49 milhão para implantação de xiloteca e estrutura de emissão de laudos anatômicos.
  • UFMT, campus de Sinop: R$ 1,97 milhão para pesquisa com espécies florestais nativas da Amazônia.
  • Imea: R$ 400 mil para diagnóstico da oferta e da demanda de biomassa.

Os valores somam R$ 3,87 milhões, conforme o detalhamento divulgado sobre a aprovação dos projetos pelo Conselho Gestor do Fundo Desenvolve Floresta. A publicação não informa o cronograma de desembolso, os prazos de conclusão ou metas quantitativas para cada iniciativa.

Para produtores, pesquisadores e empresas interessados no desenvolvimento florestal, acompanhar a execução dos projetos e a publicação de seus resultados será uma forma de avaliar os avanços concretos. A redação do CenárioMT recomenda consultar os canais oficiais da Sedec-MT e das instituições responsáveis para obter atualizações sobre as etapas seguintes.

Reportagem baseada em informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec-MT). Os dados financeiros e os objetivos dos projetos foram apresentados conforme o conteúdo original, sem atribuição de resultados ainda não divulgados.

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