Freio no consumo põe metade da população de Mato Grosso na lista de negativados

A saúde financeira das famílias em Mato Grosso entrou em rota de colisão com o orçamento doméstico. Metade dos moradores em idade adulta no estado está com o poder de compra severamente travado devido a restrições no CPF.

De acordo com um recente diagnóstico econômico do SPC Brasil, encomendado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Cuiabá), o volume de consumidores com restrições operacionais cresceu 7,61% no balanço anual.

O dado mais contundente do relatório aponta que 48,34% da população adulta acumula pendências financeiras. Na prática, isso significa que cerca de 1,5 milhão de mato-grossenses estão temporariamente fora do mercado formal de crédito. O ritmo de endividamento local superou tanto o patamar médio do Centro-Oeste (6,89%) quanto o índice consolidado do Brasil (7,55%), acendendo o sinal de alerta no varejo.

Para o comando da CDL Cuiabá, o cenário não se trata de uma oscilação comum de mercado, mas sim de uma barreira estrutural que exige cautela. O endividamento contínuo das famílias força tanto o comércio quanto o consumidor a priorizarem a reorganização das contas antes de pensar em novas compras.

O tamanho do rombo por CPF: R$ 6 mil e dois anos de espera

A pesquisa revela que a dificuldade em quitar os compromissos financeiros não se resume a pequenas parcelas. Quando o nome do cidadão é enviado para a lista de proteção ao crédito, a soma total do prejuízo por indivíduo atinge, em média, R$ 6.026,45.

Apesar do valor médio elevado, o estrangulamento da renda atinge com força quem deve pouco:

  • Contas de até R$ 500: É o teto da dívida para 23,94% dos negativados.

  • Contas de até R$ 1.000: Limite que engloba 36,23% das pessoas listadas.

Outro fator que demonstra o peso da crise no bolso é o tempo de permanência no cadastro de devedores. Em média, o consumidor de Mato Grosso passa 28 meses e meio com o nome sujo antes de conseguir fechar um acordo ou juntar dinheiro para liquidar o saldo devedor.

Juros e faturas: Onde o orçamento do mato-grossense estourou

O levantamento detalhou quem são os principais credores das contas que venceram e não foram pagas no estado. As instituições financeiras continuam sendo o principal ralo do dinheiro da população:

  • Bancos e cartões: Lideram isolados, retendo 54,30% de todas as pendências do estado;

  • Lojas e varejo: O comércio direto responde por 21,69% dos calotes;

  • Serviços básicos: Contas essenciais de água e energia elétrica somam 9,39% dos atrasos;

  • Conectividade: Empresas de telefonia e internet detêm 4,02% das faturas abertas.

A única oscilação positiva do período foi um recuo quase invisível de 0,10% na comparação direta com o mês anterior. O dado, contudo, é insuficiente para sinalizar uma melhora real na economia local, servindo apenas como uma breve pausa em uma curva que ainda preocupa o comércio e a indústria.

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