O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD-MT), rebateu as críticas de setores do Agronegócio após o governo intensificar a fiscalização fitossanitária da soja brasileira destinada à China. Segundo o ministro, a medida foi adotada depois de notificações sobre irregularidades em cargas do grão.
A tensão ganhou força após a Cargill anunciar a suspensão temporária das exportações de soja brasileira para o mercado chinês. Em entrevista à Reuters, na última quarta-feira (12), o presidente da companhia no Brasil, Paulo Sousa, afirmou que a nova inspeção fitossanitária estaria dificultando o cumprimento das normas para obter autorização para embarque.
Segundo o ministro, no entanto, a decisão de intensificar a fiscalização ocorreu após sucessivos alertas feitos pela Administração Geral de Alfândegas da China (GACC). Durante agenda em Cuiabá, nesta sexta-feira (13), Fávaro afirmou que as notificações começaram a chegar há cerca de um ano e meio e apontam a presença de sementes de ervas daninhas em carregamentos de soja.
“Não é a qualidade comercial da soja brasileira que está em debate. Ela é de excelente qualidade e está garantida. O problema apontado pela China é o atestado sanitário, com sementes de ervas daninhas que não podem estar presentes na comercialização”, afirmou.
Diálogos sobre a inspeção da soja não avançaram
Antes de determinar o reforço nas inspeções, o ministro afirmou que o governo tentou dialogar com representantes da indústria e do comércio do grão, porém, as conversas não avançaram. Agora, o governo pretende retomar o diálogo com o setor em uma reunião marcada para a próxima segunda-feira (16), com o objetivo de discutir alternativas para dar mais celeridade ao processo de classificação das cargas.
“Venho há muito tempo conversando com as indústrias, com as tradings, mas as coisas não evoluíram e eu não posso precarizar, não posso perder esse status de excelência. Por isso determinei então que a Secretaria de Defesa Agropecuária intensifique a classificação. Nós vamos ter uma reunião na segunda-feira para que a gente possa agilizar esse processo de liberação, mas com a garantia de que a soja que sai do Brasil sai com atestado de qualidade”, afirmou o ministro.
Diante das notificações, o ministro determinou à Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) a intensificação da classificação das cargas antes do embarque. Com a medida, alguns navios chegaram a ficar temporariamente parados para inspeção, o que gerou críticas de tradings e exportadores.

Entidades acompanham
Entidades que representam a indústria e o comércio exterior do setor também acompanham a situação. Em nota conjunta, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) afirmaram que observam “com atenção e preocupação” a intensificação do processo de classificação.
As entidades disseram que mantêm diálogo com autoridades e demais representantes da cadeia produtiva para buscar soluções que garantam a fluidez do comércio e a previsibilidade das operações. Apesar das críticas, o ministro reforçou que a prioridade do governo é preservar a credibilidade da soja brasileira no principal mercado comprador do grão.
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