Motoristas de Cuiabá e Várzea Grande se depararam com um novo aumento no preço do etanol nas bombas nesta quarta-feira (9). Em alguns postos, o valor cobrado por litro do combustível chegou a R$ 4,17 nesta manhã, mostrando mudança significativa em relação ao valor médio registrado no mês passado.
Em julho deste ano, Cuiabá foi a capital brasileira com o menor preço do litro de etanol, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). De acordo com a pesquisa, o preço médio do litro do combustível na capital mato-grossense era de R$ 3,73.
Já conforme o Monitor de Preços de Combustíveis e Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o preço médio de revenda do combustível em Mato Grosso estava em torno de R$ 3,77 e R$ 3,95.
O valor registrado em Cuiabá foi inferior, conforme a pesquisa, ao de outras capitais tradicionalmente competitivas no mercado de combustíveis, como São Paulo e Belo Horizonte, que aparecem na segunda e terceira posições entre os menores preços médios do país.
Aumento do etanol nesta semana
Já na manhã desta quarta-feira, o novo preço nos postos de combustíveis da Baixada Cuiabana mostram um aumento de cerca de R$ 0,40 em relação aos valores registrados no mês passado.

Um dos sinais dessa mudança aparece antes mesmo de o combustível chegar aos postos. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), mostram que o valor do etanol hidratado comercializado pelas usinas também aumentou nas últimas semanas.
Na semana de 3 a 7 de agosto, o valor registrado no painel era de R$ 2,56. Já entre 31 de agosto e 4 de setembro, o preço chegou a R$ 2,91.
Na prática, são R$ 0,35 a mais em cerca de cinco semanas, uma alta de aproximadamente 13,7%.
Vale lembrar que os valores do painel se referem ao combustível negociado nas usinas e não incluem impostos, portanto não representam diretamente o preço final pago pelo motorista no posto.
Essa diferença é importante porque, até chegar à bomba, o combustível passa por outras etapas e sofre a incidência de tributos, além de custos de transporte, distribuição e margem dos estabelecimentos, como explica o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis de Mato Grosso (Sindipetróleo).
Etanol estava competitivo em agosto
O novo aumento acontece depois de um período em que o etanol vinha ganhando espaço justamente por estar mais barato em relação à gasolina.
Conforme dados divulgados pelo Sindipetróleo no início deste mês, o litro do combustível fechou agosto com preço médio de R$ 3,77 em Mato Grosso. Naquele momento, o etanol correspondia a apenas 55,6% do preço da gasolina comum no estado, a menor relação entre todas as unidades da Federação.
Isso significa que, considerando a referência de que o etanol costuma ser vantajoso quando custa até 70% do preço da gasolina, o combustível estava bastante competitivo para os motoristas mato-grossenses.
No cenário nacional, o etanol também teve destaque em agosto. O preço médio caiu 2,7% em relação a julho, encerrando o mês em R$ 4,050 por litro. Foi a maior queda entre os combustíveis monitorados no período.
Para quem abastece com frequência, a diferença pesa. Em um tanque de 50 litros, por exemplo, pagar R$ 4,90 em vez de R$ 3,77 representa cerca de R$ 56,50 a mais por abastecimento, considerando apenas essa diferença de preço por litro.
O que explica o aumento?
Por meio de nota, o Sindipetróleo explicou ao Primeira Página que o preço do etanol hidratado já vinha registrando alta média de R$ 0,12 por litro nas últimas semanas, movimento que já se reflete nos valores praticados pelas usinas.
Entre os fatores que podem estar contribuindo para a elevação estão o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passou de 30% para 32%, a proximidade do fim da safra de cana-de-açúcar e a valorização do açúcar no mercado internacional. Esse cenário pode pressionar a oferta e os custos do biocombustível.
Segundo o Sindipetróleo, a alta pode estar relacionada a mudanças na mistura da gasolina, ao período da safra de cana-de-açúcar e ao mercado internacional do açúcar.
1
Mais etanol na gasolina
A mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina passou de 30% para 32%, aumentando a demanda pelo biocombustível.
2
Fim da safra de cana
A proximidade do fim da safra pode reduzir a oferta de matéria-prima e pressionar os custos do etanol.
3
Açúcar mais valorizado
A valorização do açúcar no mercado internacional também pode influenciar a produção e a disponibilidade do etanol.
⛽ E a gasolina?
A gasolina também teve reajuste no período. De acordo com o Sindipetróleo, o movimento está relacionado aos custos de aquisição do produto e às condições do mercado.
💰 Por que o preço varia?
O valor pago na bomba é formado ao longo de toda a cadeia e pode ser influenciado por produção, aquisição, impostos, logística e condições de mercado.
O Sindipetróleo segue acompanhando a evolução dos preços dos combustíveis e os impactos dos movimentos do mercado sobre os revendedores e consumidores mato-grossenses.
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