O avanço do endividamento rural e a dificuldade de acesso a crédito mais acessível estão entre os temas debatidos no novo episódio do podcast Agro de Primeira, que reuniu o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain. Durante a conversa, o dirigente apontou fatores que pressionam o campo, como o aumento dos custos de produção, a dependência de insumos importados e a alta dos juros.
O convidado da semana afirma que a combinação de fatores externos e internos tem pressionado fortemente a margem do produtor. Segundo ele, a dependência do Brasil de insumos importados, especialmente fertilizantes, agrava o cenário.
“Há uma dependência do Brasil em relação aos nitrogenados, aos fosfatados. Quer dizer, isso é uma situação que a gente não pode admitir mais, né? Um Brasil que tem as suas próprias jazidas ficar vulnerável, quer dizer, é uma insegurança tão grande que você depende praticamente 80% de importação de fertilizante para plantar tua safra”, apontou o presidente durante o episódio.
De acordo com o dirigente, conflitos internacionais recentes contribuíram para elevar os preços desses insumos, impactando diretamente o custo de produção. Outro fator que pressiona o campo, segundo Tomain, é o custo do óleo diesel, essencial para a operação das lavouras e logística.
Assista o episódio completo:
Linhas de crédito acessíveis
Diante desse cenário, o presidente da Famato avalia que o endividamento tende a se agravar sem medidas concretas de apoio. Ele cita como positiva a sinalização recente do governo federal sobre novas linhas de crédito, mas ressalta que o custo do dinheiro ainda é um entrave.
A proposta de repactuação de dívidas em discussão no Congresso também é vista como necessária, mas Tomain faz um alerta sobre as condições dessas renegociações.
“São propostas de equalização de juros. Não adianta você renegociar a dívida com acréscimo de 15%. Isso é impagável. Se o governo tiver que fazer esse sacrifício para trazer uma linha de crédito para repactuar dívida, tem que ser com uma linha compatível com a realidade do setor produtivo”, afirmou o dirigente.
Tomain também demonstrou preocupação com exigências feitas por instituições financeiras durante os processos de renegociações. Para ele, há possibilidades que podem colocar o patrimônio do produtor em um espaço de risco.
“As instituições financeiras quererem que você atualize todas as suas operações, atualizando garantias com fiduciárias, isso eu aconselho a não fazer. Porque você está colocando seu patrimônio vulnerável. A partir do momento que você atualiza seu débito com uma nova garantia, você coloca o patrimônio em jogo”, disse.
Apesar das dificuldades, Tomain acredita em uma reação do setor, desde que haja apoio institucional. Ele defende ainda o fortalecimento da produção nacional de fertilizantes como forma de reduzir a vulnerabilidade externa e dar mais previsibilidade ao planejamento agrícola.
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