Especialistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam como essencial manter sempre atualizado o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). Para Balbino Evangelista, analista em Geoprocessamento da Embrapa Cerrados e membro do Grupo Gestor da Embrapa responsável pela operacionalização dos estudos as mudanças de classificação de solo e ampliação dos fenômenos climáticos analisdos torna o zonemaneot “mais preciso”.
O Ministério da Agricultura atualizou o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para o milho grão. As novas regras trazem mudanças na classificação dos solos e na base de dados climáticos utilizada para definir os períodos de plantio com menor risco para a cultura. O novo zoneamento abrange todos os estados brasileiros.
Principal novidade do Zarc está no solo
O destaque da nova versão está na forma como os solos passam a ser classificados. Antes, o zoneamento considerava apenas três categorias:
- Arenoso;
- Médio;
- Argiloso.
Agora, o estudo utiliza seis classes, definidas pela capacidade de retenção de água do solo, variando de AD1, com menor armazenamento, até AD6, com maior capacidade hídrica.
Segundo Balbino Evangelista, as atualização da análise de solo tornam as recomendações mais adequadas à realidade de cada região.
“Essa mudança de classificação dos solos torna o zoneamento mais preciso e mais representativo dos diferentes ambientes de produção”, apontou.

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Amplicação de fatores climáticos
Além da atualização dos solos, o componente climático também foi ampliado. O novo Zarc incorpora mais nove anos de dados meteorológicos, aumentando a quantidade de informações sobre chuva, temperatura e evapotranspiração, utilizadas nos cálculos de risco.
A base é formada por séries históricas de 30 anos, que servem de referência para avaliar as condições de cultivo.

De acordo com Evangelista, a atualização reflete os impactos da maior variabilidade climática observada nos últimos anos, marcada por eventos extremos mais frequentes, como secas prolongadas, excesso de chuvas e geadas.
“Essas melhorias permitem que as estatísticas de risco representem melhor a realidade atual do cultivo no país. No Sul, parte de áreas antes limitadas pelo frio passaram a ter uma janela maior, já que o aumento das temperaturas reduziu o risco de geadas e de temperaturas limitantes”, explicou o analista.
Janelas de plantio do milho
As mudanças afetam diretamente as janelas recomendadas para o plantio do milho. Na 1ª safra, algumas regiões tiveram atraso de pelo menos dez dias nas datas indicadas para semeadura.
Já na 2ª safra, especialmente em áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste, houve redução do período recomendado para o plantio devido à diminuição das chuvas e ao aumento das temperaturas.

Além de orientar os produtores sobre os períodos mais seguros para o cultivo, o Zarc é utilizado como referência para a contratação de Crédito Rural e Seguro Agrícola, fatores essenciais para o planejamento da atividade no campo.