Eleitores de diferentes gerações revelam o que esperam das eleições em MT

Em momentos diferentes da vida e sem relação familiar entre si, o empresário Marcos Antônio da Silva e a estudante Dominique Magalhães, moradores de Cuiabá, representam dois perfis do eleitorado de Mato Grosso. Ele concilia trabalho e responsabilidades familiares e já acumula experiência nas urnas. Ela tem 17 anos e se prepara para votar pela primeira vez.

Urna eletrônica. – Foto: Divulgação/TSE

Dos mais de 2,6 milhões de eleitores aptos a votar no estado, 64,7% têm entre 30 e 59 anos. São pessoas que, em grande parte, dividem a rotina entre trabalho, contas, cuidados com os filhos e, muitas vezes, também com os pais idosos.

A maior concentração está na faixa dos 40 aos 44 anos, que reúne aproximadamente 278 mil eleitores. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Além de representar a maioria do eleitorado mato-grossense, esse público terá participação importante na escolha de quem ocupará a Presidência da República, o Governo de Mato Grosso, o Senado, a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa.

Saúde e segurança entre as prioridades

Empresário, casado e pai de uma filha universitária, Marcos Antônio da Silva vive uma rotina marcada por diferentes responsabilidades. Essa experiência também influencia o que ele espera dos candidatos.

Para Marcos, as campanhas precisam estar mais atentas às demandas concretas enfrentadas pelos eleitores de meia-idade, especialmente nas áreas da saúde e da segurança.

“Os candidatos, muitas vezes, vêm com assuntos aleatórios, mas muitos também têm a preocupação de olhar para determinados grupos. Falam principalmente da educação para os jovens. Já a saúde, eu acho que é o ponto principal para essa meia-idade. Os candidatos precisam estar mais atentos à saúde e à segurança. As outras questões vêm junto com essas”, afirmou.

A experiência do primeiro voto

Em outra realidade está Dominique Magalhães, uma jovem de 17 anos que vai votar pela primeira vez. A estudante afirma que pretende analisar os valores, as propostas e o histórico de cada candidato antes de escolher em quem votar.

“Para mim, é importante saber se aquilo que o candidato defende e apresenta como proposta condiz com os meus valores e com o que considero necessário para o futuro. Também quero saber se as propostas são realizáveis e se realmente poderão fazer a diferença”, explicou.

Dominique eleitora juvenil
Dominique Magalhães, de 17 anos, que vai votar pela primeira vez. – Foto: arquivo pessoal

Dominique também considera importante avaliar o desempenho anterior dos políticos que tentam retornar ou permanecer em cargos públicos.

“Como muitos candidatos já estiveram no poder, é preciso observar o que realizaram nos mandatos anteriores, as diferenças que fizeram e se cumpriram aquilo que defenderam”, completou.

Experiência torna a política mais concreta

O peso dos eleitores de 30 a 59 anos não está relacionado apenas ao tamanho do grupo. Segundo a cientista política Cristiane Fonseca, essa parcela da população está em um período da vida no qual as decisões políticas são percebidas de maneira mais concreta.

“Nessa idade, o Estado chega a esse eleitor por várias portas ao mesmo tempo. Estamos falando de um eleitorado situado em um ponto muito particular da vida social. Ele tem passado suficiente para comparar governos, responsabilidades presentes que tornam a política muito concreta e expectativas de futuro que também precisam ser protegidas. Por essa razão, seu peso eleitoral é tão relevante”, analisou.

As preocupações com emprego, renda, educação, saúde, segurança e serviços públicos passam a fazer parte diretamente da rotina desse eleitor. Ao mesmo tempo, a experiência acumulada permite comparar promessas eleitorais com os resultados apresentados por governos anteriores.

Redes sociais não representam todo o eleitorado

A diferença entre as gerações também impõe um desafio às campanhas. Enquanto uma parcela do eleitorado acumula anos de participação política, outra ainda está construindo a própria relação com as eleições.

Segundo Cristiane, as plataformas digitais ganharam espaço nas estratégias eleitorais, mas o conteúdo com maior repercussão nas redes nem sempre representa o perfil predominante nas urnas.

“As campanhas passaram a enxergar o eleitorado cada vez mais pelas plataformas digitais. Aquilo que é mais visível nas plataformas pode produzir uma percepção distorcida de quem está, de fato, nas urnas. Os públicos mais jovens têm forte presença e capacidade de circulação nesses ambientes, mas a eleição não é uma reprodução das redes sociais”, explicou.

Para a cientista política, as campanhas precisam diferenciar o público que repercute conteúdos nas plataformas daquele que, pelo tamanho e pela participação eleitoral, pode alterar o resultado de uma disputa.

“Existe uma diferença entre o eleitor que amplifica uma mensagem e o eleitorado que, pelo seu volume, pode alterar o resultado. Quando a campanha não percebe essa diferença, corre o risco de construir uma estratégia muito eficiente para produzir audiência, mas insuficiente para formar uma maioria eleitoral”, concluiu.

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