Com a chegada do período proibitivo do uso do fogo, que começou em 1º de julho, órgãos das três esferas de governo e representantes do setor produtivo se reuniram nesta terça-feira (14) para traçar o plano de guerra contra as queimadas em Mato Grosso.
O encontro, realizado no Batalhão de Emergências Ambientais do Corpo de Bombeiros, serviu para alinhar o monitoramento que agora passa a ser semanal.
Apesar do fantasma de um fenômeno El Niño mais intenso para o segundo semestre — o que promete trazer uma seca histórica —, os números atuais dão um fôlego para o estado.
Entre janeiro e 12 de julho, Mato Grosso registrou uma queda de 17% nos focos de calor em comparação com o mesmo período do ano passado. No bioma Cerrado, a redução foi ainda maior, chegando a 21%.
Alívio temporário e atenção redobrada
O secretário municipal de Defesa Civil de Cuiabá, coronel Alessandro Borges, ponderou que o cenário é confortável, mas não permite que ninguém baixe a guarda.
“Vivemos um momento de relativa tranquilidade, mas seguimos em estado de atenção. A previsão é de um El Niño mais forte, por isso o trabalho preventivo precisa ser fortalecido desde agora”, alertou o secretário.
Segundo ele, menos fogo no campo significa diretamente menos fumaça cobrindo as cidades, o que alivia os hospitais públicos do fluxo de crianças e idosos com problemas respiratórios nesta época do ano. Para alcançar esses números na capital, a prefeitura aposta em receitas básicas: limpeza de áreas públicas, eliminação de lixões clandestinos e fiscalização pesada em terrenos baldios.
Monitoramento semanal contra o pior da seca
Com o início da fase crítica da estiagem, a Sala de Situação Central vai se reunir toda semana até o dia 30 de novembro para cruzar dados de satélite, previsões do tempo e definir onde as equipes de combate devem se posicionar.
O coronel da reserva Lázaro Leandro Nunes, que comanda o Comitê Estadual de Gestão do Fogo, pontuou que o primeiro semestre foi generoso com chuvas e umidade, mas o perigo real começa agora.
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Histórico de união: Mato Grosso estruturou seu comitê de gestão do fogo em 2006 e, hoje, o modelo de integração entre governo, prefeituras e produtores rurais é considerado referência nacional.
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Trabalho de base na estrada: A engenheira Naiara Andrade, da Sinfra-MT, explicou que esses encontros ajudam a direcionar obras preventivas na região de Cáceres, como a abertura de aceiros nas margens das rodovias estaduais para impedir que faíscas de carros iniciem incêndios na vegetação seca.
Além dos militares e secretarias de estado (como a Sema-MT e Sinfra-MT), gigantes do setor produtivo como Famato, Aprosoja e Ampa participam das decisões ao lado de órgãos federais como Ibama e ICMBio, garantindo que o combate e a prevenção aconteçam tanto em terras privadas quanto em parques e reservas ambientais de Mato Grosso.
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