A defesa do técnico de enfermagem investigado por suspeita de estuprar uma paciente internada no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS), em Campo Grande, afirmou nesta segunda-feira (13) que pedirá acesso aos autos do inquérito policial que apura o caso, o qual tramita sob segredo de Justiça. Por isso, a defesa informou que não tem como comentar o conteúdo das investigações neste momento, mas afirma que o servidor é “inocente”. O caso é investigado pela Polícia Civil como estupro de vulnerável, e o profissional foi afastado das atividades pela unidade de saúde.
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Mulher internada por complicações no parto denuncia estupro no Hospital Regional
Em nota, o advogado Matheus Morandi afirmou que irá adotar as “medidas processuais necessárias” para ter acesso à íntegra dos autos, a fim de conhecer os elementos já reunidos pela investigação e compreender, “com a devida profundidade”, os fatos apurados.
A defesa destacou ainda que confia na inocência do investigado e afirmou estar convicta de que, ao final da apuração, “será demonstrada a inexistência dos fatos apurados”. Confira a nota completa:
“A defesa informa que o inquérito policial em questão, em razão das circunstâncias fáticas e das disposições legais aplicáveis, tramita sob segredo de justiça, motivo pelo qual não é possível comentar o conteúdo das investigações neste momento.
Esclarece que os fatos ainda estão sendo apurados pela autoridade policial, não havendo, até o presente momento, conclusão definitiva acerca das circunstâncias investigadas.
Informa, ainda, que adotará as medidas processuais cabíveis para requerer vistas aos autos do inquérito policial, a fim de tomar conhecimento da íntegra dos elementos já documentados e compreender, com a devida profundidade, os fatos que são objeto da investigação.
A defesa confia na inocência de seu representado e está convicta de que, ao final da regular apuração, os fatos serão devidamente esclarecidos, onde será demonstrado a inexistência dos fatos apurados.
Por fim, reafirma seu compromisso com a observância do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência, reservando-se o direito de se manifestar oportunamente, após o acesso aos autos e a análise técnica dos elementos constantes do procedimento investigatório”.
O caso
Uma mulher, de 27 anos, denunciou ter sido vítima de estupro dentro do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, onde está internada há 26 dias. O caso ocorreu no início da manhã de sexta-feira (10).
Conforme o boletim de ocorrência, a tia da vítima foi quem procurou a polícia, e informou que a sobrinha está internada na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do hospital, devido complicações da gravidez e problemas no parto, realizado no dia 30 de junho.
A mulher contou à tia que durante quinta-feira (9), dois técnicos de enfermagem, sendo o homem e uma mulher, deram banho na paciente. No entanto, horas depois, no início da manhã de sexta-feira (10), o suspeito voltou e aplicou dois medicamentos em momentos diferentes.
Na segunda vez, a mulher relatou ter ficado sonolenta. Porém, ao acordar, notou que estava sendo vítima de estupro. Nesse instante, o autor saiu e deixou o local.
O caso foi informado para uma outra técnica de enfermagem, que avisou a enfermeira e a psicóloga do setor. Porém, a profissional de saúde informou que “não seria uma informação suficiente para apuração ou investigação no hospital“, mas que registraria o ocorrido para a administração da unidade de saúde.
No entanto, até a tarde de sábado (11), segundo a familiar, não havia obtido nenhuma resposta por parte do hospital. A vítima foi transferida para um quarto após alta da UTI e, no momento, é acompanhada 24 horas por um familiar.
A família solicitou à Polícia Civil medidas protetivas de urgência, mas a reportagem não conseguiu obter informações se o caso foi aceito pela Justiça de Mato Grosso do Sul. O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) como estupro de vulnerável e segue sob investigação. O autor, até o momento, não foi preso.
O que diz o Hospital Regional
O Primeira Página entrou em contato com a assessoria do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul. Por meio de nota, a unidade de saúde informou que teve ciência do caso e que está adotando medidas necessárias para apuração do fato, além de prestar acolhimento e suporte necessário à paciente, e que o profissional foi afastado das atividades. Confira a nota completa:
“O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) informa que, desde que tomou conhecimento da denúncia, na última sexta-feira (10), o profissional deixou de atuar na assistência aos pacientes. Nesta segunda-feira (13), foi formalizado seu afastamento das atividades.
A instituição instaurou sindicância para apuração rigorosa dos fatos, assegurando ao profissional o direito ao contraditório e à ampla defesa, conforme determina a legislação vigente. O HRMS vem prestando acolhimento e suporte à paciente e aos seus familiares, oferecendo toda a assistência necessária.
O hospital esclarece ainda que, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), os cuidados assistenciais são realizados rotineiramente por dois profissionais. O HRMS reafirma seu compromisso com a segurança dos pacientes, a transparência na apuração dos fatos e o rigor na adoção das medidas administrativas cabíveis, permanecendo à disposição das autoridades competentes para colaborar integralmente com as investigações”.