Defesa diz que babá suspeita de pornografia infantil vive situação degradante em delegacia em MT

A defesa da cuidadora de crianças Tafnes Cavalheiro de Souza, presa suspeita de produzir conteúdos de pornografia infantil e supostamente encaminha-los ao empresário de Sorriso (MT), Fábio Serafim de Oliveira, pediu nessa sexta-feira (31) pedido de prisão domiciliar para a jovem. O habeas corpus ainda não foi julgado pela Justiça.

Ao Primeira Página, o defensor de Tafnes, advogado Walter Rapuano afirma que protocolou o pedido de conversão da prisão preventiva em domiciliar devido a situação classificada por ele como “degradante”, já que a cliente encontra-se detida há mais de 30 dias em delegacia de polícia e não em um presídio. Ela foi presa no dia 29 de junho.

A babá Tafnes Cavalheiro de Souza e o empresário do ramo de combustíveis Fábio Serafim de Oliveira presos por supostamente produzir e divulgar conteúdos de pornografia infantil. – Fotos: Reprodução

O advogado afirmou à reportagem que a cliente, hoje com 19 anos, alega que foi aliciada por Fábio Serafim quando era menor de idade aos 16 anos e trabalhava como babá na casa do empresário e da esposa dele.

Segundo ela, a casa ficava em um local afastado da cidade. Em certa ocasião, o casal supostamente teria embriagado a jovem e a convencido em manter relações sexuais.

Posteriormente, quando ela havia completado 18 anos e já não estava mais trabalhando na casa, o empresário teria procurado novamente a jovem com intuito de manter um caso extraconjugal e começou a ajudá-la financeiramente.

Segundo a jovem, o homem soube que Tafnes morava em uma residência em que havia circulação de crianças e começou a pedir fotos das crianças sem roupa sob o argumento de que não enviaria mais dinheiro a jovem, como forma de chantagem.

Outro lado

O Primeira Página busca contato da defesa do empresário e da mulher citados na reportagem. Até o momento os advogados não foram localizados. Espaço segue aberto para manifestações e esclarecimentos sobre o caso.

Em novembro de 2025, após requisição da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT), a Justiça determinou a interdição do Centro de Ressocialização de Sorriso, devido à superlotação da unidade, que contava com 380 presos, 214 a mais do que a capacidade máxima (166 vagas).

A reportagem buscou contato de Secretária de Estado de Justiça (Sejus-MT) para questionar a respeito das vagas em penitenciárias femininas no estado e na cidade, diante da alegação da defesa de Tafnes sobre a prisão em delegacia de polícia.

Até o momento não houve retorno. A matéria será atualizada em caso de resposta.

Operação Puer Defensus

Segundo informações da Polícia Civil, as investigações que deram origem a Operação Puer Defensus, deflagrada em Sorriso (MT), no dia 15 de julho, e que culminaram na prisão do empresário Fábio Serafim naquela data, iniciaram após a prisão de Tafnes, em 29 de junho.

O caso veio a tona quando uma parente de uma das crianças vítima dos supostos abusos presenciou uma situação em que a menina praticou um ato sexual com outra criança, por acreditar que seria normal. Ao questionar a criança, a parente ouviu da criança que tinha sido ensinada a praticar aquele ato na presença da babá e de um homem.

O caso levou a denúncia na Polícia Civil de Sorriso.

Empresario preso Sorriso foto Reproducao
Polícia prende empresário acusado de supostos abusos contra crianças em Sorriso. – Foto: Reprodução

Ao ser presa em junho, a babá confessou as práticas em depoimento. O contato do empresário foi encontrado no celular da jovem com conversas em que trocavam conteúdos.

Segundo Tafnes, eles teriam se conhecido quando a jovem trabalhou para o empresário. Posteriormente continuaram mantendo contato.

As investigações apontaram que a jovem vendia fotos e conteúdos de si mesma ao homem, por valores de R$ 150. Contudo, com o tempo, o investigado passou a pedir também imagens de crianças as quais ela tinha acesso.

Vítimas eram atraídas com moedas e doces

Segundo as investigações da Polícia Civil, foram vítimas dos dois suspeitos ao menos cinco crianças, incluindo um bebê, de 1 ano e 8 meses. Outras quatro crianças ficavam sob os cuidados da mulher, sendo duas parentes dela e outras duas filhos de amigas com idades entre 4 e 8 anos.

Os supostos abusos teriam ocorrido ao longo de 7 meses, entre agosto de 2025 a março de 2026.

É dito ainda que o homem oferecia balas e moedas às crianças para tentar atrai-las para os abusos.

Foi constatado que os investigados apagaram de seus telefones celulares diversos conteúdos e conversas, que serão recuperados pela perícia. Partes deles já foi obtido no celular da mulher, já o do homem ainda passará pela extração de dados.

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