O setor frigorífico de Mato Grosso do Sul começou a sentir os efeitos do esgotamento da chamada “Cota Boi China”. Com a conclusão do limite de exportação estabelecido pelo governo chinês, empresas do segmento deram férias coletivas e reduziram a produção para evitar prejuízos causados por uma taxa que pode tornar inviável a venda de carne ao principal comprador da proteína brasileira.
Frigoríficos de MS entram em compasso de espera após esgotamento da cota Boi China. (Foto: Reprodução)
A medida já afeta 5 unidades no estado e reflete um momento de cautela no setor, que também enfrenta oferta reduzida de animais, vendas fracas no mercado interno e margens cada vez mais apertadas.
Frigoríficos que deram férias coletivas
JBS (Campo Grande)
Iguatemi Beef (Iguatemi)
Boibras (São Gabriel do Oeste)
Frigoríficos com abates reduzidos
Natura Frig (Rochedo) – redução de quase 40% nos abates
Frigo Sul (Aparecida do Taboado) – escalas reduzidas, operando em dias alternados
“Nós já esperávamos essa redução de abates por conta da salvaguarda chinesa. A cota já foi cumprida e agora só volta em janeiro. Se exportar acima do limite, haverá um imposto de 55% somado aos 12% que já existiam. Isso chega a 67% e torna a operação inviável”, afirmou.
Abates em frigoríficos de MS são reduzidos. (Foto: Agência Brasil)
De acordo com Comarella, além das férias coletivas, diversas unidades passaram a trabalhar com escalas menores para adequar a produção à nova realidade do mercado.
“Até o momento não tivemos demissões, mas o mercado está muito complicado. A oferta de boi está retraída, as vendas são ruins e os preços não acompanham o valor da arroba”, explicou.
Confira a entrevista na íntegra:
Presidente explica mudanças nos frigoríficos de MS frente a Cota Boi China. (Vídeo: Reprodução)
Cenário dos frigoríficos brasileiros
A situação em Mato Grosso do Sul é reflexo de um problema nacional. O limite autorizado de exportação para este ano é de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina.
Segundo os dados mais recentes divulgados pelo governo chinês, já foram importadas cerca de 884,8 mil toneladas de carne bovina in natura do Brasil.
A expectativa é que a produção direcionada ao mercado chinês seja retomada a partir de outubro. Com esse planejamento, as cargas embarcadas no fim do ano chegariam à China apenas em janeiro, passando a contar na cota de 2027.
Com a cota de exportação perto do fim e uma sobretaxa de 55% no horizonte, empresas já concedem férias coletivas e diminuem os abates. (Foto: Mapa)