Em mais um episódio do podcast Agro de Primeira, o debate foi direcionado a um segmento que ainda desperta curiosidade, mas tem ganhado espaço no campo e na mesa do consumidor: o cultivo de cogumelos. Apresentado por Tati Scaff, o programa recebeu Tainá Péclat e Rodrigo de Figueiredo, proprietários da Cogumelos do Queridão, empreendimento de agricultura familiar sediado em Campo Grande, para uma conversa sobre produção, manejo, mercado e sustentabilidade na fungicultura.
Ao longo do episódio, os entrevistados compartilharam a trajetória até a criação do negócio, os desafios enfrentados no início da produção e os caminhos encontrados para transformar uma atividade pouco difundida no Estado em uma alternativa viável de renda, com foco em qualidade, controle técnico e venda direta ao consumidor final. (assista ao episódio completo no YouTube acima ou ouça no Spotify do Agro de Primeira)
Do substrato ao prato: entenda o cultivo do cogumelo
Durante a entrevista, Rodrigo explicou, de forma detalhada e acessível, como funciona o processo produtivo do cogumelo, desde a escolha do micélio — comprado de laboratórios credenciados — até a colheita. Na propriedade, o cultivo é realizado em estufas climatizadas, com controle rigoroso de temperatura, umidade, iluminação e higiene, fatores essenciais para garantir produtividade e qualidade.
“O micélio é o ser vivo, o substrato é o alimento. Quando esse micélio coloniza todo o bloco, ele começa a frutificar, e é essa parte que a gente consome”, explicou o produtor.
A produção utiliza insumos locais, como capim colonião, sem agrotóxicos, sendo considerada agroecológica. Apesar disso, o produto ainda não é certificado como orgânico, devido às exigências estruturais e burocráticas do processo de certificação.
Atualmente, a colheita ocorre em ciclos médios de 21 dias, com uma produção mensal que pode chegar a cerca de 100 quilos de cogumelos, principalmente da variedade shimeji branco, escolhida por sua adaptação ao clima da região e maior aceitação do mercado.
Curiosidades e sustentabilidade na fungicultura
Outro ponto de destaque do episódio foi a aceitação do público e os mitos que ainda cercam o consumo de cogumelos. Segundo Tainá, a curiosidade é grande, mas muitas pessoas ainda associam o alimento a ideias equivocadas ou desconhecem seu valor nutricional.
“Quando a gente oferece a degustação, muda tudo. A pessoa prova, entende o sabor e perde o medo. É um produto saudável, versátil e que pode entrar facilmente no dia a dia”, destacou Rodrigo.
Além da venda do produto in natura, o empreendimento desenvolveu um subproduto que se tornou carro-chefe: a caponata de shimeji, inspirada em uma receita tradicional da família de Tainá. Hoje, a caponata supera, inclusive, a venda do cogumelo fresco, mas enfrenta desafios para expansão, principalmente pelas exigências sanitárias e pela necessidade de investimentos em estrutura adequada.

A sustentabilidade também foi ressaltada. Todo o resíduo do cultivo é reaproveitado por meio da compostagem, transformando o substrato usado em adubo. Já os materiais plásticos utilizados na produção recebem destinação correta, reforçando o compromisso ambiental da atividade.
Para os entrevistados, o mercado de cogumelos é promissor e deve crescer nos próximos anos, especialmente com o avanço da economia criativa, das feiras locais e do consumo consciente.
Ainda pouco conhecida no Mato Grosso do Sul, a fungicultura aparece como uma alternativa viável dentro da agricultura familiar, com potencial de geração de renda, inovação e diversificação da produção no campo.

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