Aprofundando a conjuntura política de Mato Grosso do Sul, o comportamento do eleitor e as perspectivas para as eleições de 2026, revelando que os números das urnas nem sempre contam a história completa, o cientista político e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Daniel Miranda, é o convidado deste episódio do podcast Política de Primeira, conduzido pelos jornalistas Fabiano Arruda e Henrique Shuto. (assista ao episódio completo no YouTube acima)
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Durante a entrevista, o cientista revelou que embora os resultados das últimas eleições apontem para um eleitorado sul-mato-grossense com perfil fortemente conservador, é preciso separar o resultado da eleição do comportamento político amplo do eleitor. O especialista destaca que a esmagadora maioria do eleitorado é pragmática.
Segundo o cientista político, a dominância de eleitos à direita se explica pela “oferta” de candidatos: os partidos de direita no Brasil são maiores, mais estruturados e detêm a maior fatia do fundo eleitoral, apresentando muito mais opções nas urnas. “O eleitor vota em quem se apresenta”, explica Miranda.
Na hora de apertar as teclas, o chamado “voto útil” prevalece, com o eleitor equilibrando o seu candidato preferido com aquele que tem chances reais de vencer, muitas vezes motivado pelo temor da vitória do lado oposto.
Temas de campanha e renovação legislativa
Questionado sobre as pautas que devem dominar as campanhas, o professor elencou que temas tradicionais como saúde, educação e segurança pública seguirão no topo, com o desafio de traduzir o combate ao crime organizado para a realidade do pequeno furto nos bairros, sendo o que o eleitor realmente sente na pele.
Pautas vitais para o país, como o ajuste fiscal, ganharão dificilmente os palanques, já que o eleitor sabe que a conta dos cortes quase sempre recai sobre a base da pirâmide e não sobre as elites.
Já sobre a renovação no Legislativo, a expectativa é contida. Para as apenas oito vagas na Câmara dos Deputados, a disputa será pesada entre nomes já consagrados e federações fortalecidas.
Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALMS), a dita “renovação” muitas vezes acontece com o retorno de figuras históricas da velha guarda da política estadual, provando que nomes diferentes nas cadeiras não necessariamente significam novos quadros políticos.
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