Chefe de facção presa na Bolívia ficará em isolamento por quase 200 dias em penitenciária de Cuiabá

Transferida para Mato Grosso nessa terça-feira (20), a Angélica Saraiva de Sá, conhecida como ‘Angeliquinha’, ficará em isolamento por um período inicial de 180 dias na penitenciária Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, de onde fugiu no ano passado.

A decisão do regime disciplinar diferenciado foi dada pela 5ª Vara Criminal de Sinop (MT) e tem possibilidade de prorrogação mediante nova decisão judicial. A medida impõe condições mais rígidas à Angeliquinha, como isolamento das demais presas, restrições às visitas e redução do tempo fora da cela.

Chefe de facção, Angeliquinha ficará em isolamento por 180 dias em penitenciária feminina de Cuiabá. – Foto: Polícia Civil

A criminosa passou mais de um ano foragida até ser capturada na Bolívia, no dia 22 de setembro deste ano. Depois, a faccionada ficou detida na sede da Polícia Federal em Corumbá (MS) enquanto aguardava decisão judicial da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) para retornar a MT.

Motivo do isolamento de Angeliquinha

Segundo a Polícia Civil, a medida foi determinada em meio às investigações da Operação Showdown, da qual a faccionada e alguns familiares foram alvos, em março deste ano.

A operação foi realizada com o objetivo de desarticular o núcleo familiar ligado à investigada, suspeita de dar suporte às atividades criminosas e auxiliar na lavagem de dinheiro obtido pelo grupo criminoso por meio do tráfico de drogas.

Na época, a polícia apurou que o grupo familiar, incluindo o pai, filha e marido de Angélica, teria movimentado mais de R$ 20 milhões no período de 1 ano e sete meses.

Mandados foram cumpridos em um endereço ligado à família de faccionados em Alta Floresta. - Foto: PJC-MT.
Mandados foram cumpridos em um endereço ligado à família de faccionados em Alta Floresta. – Foto: PJC-MT.

Conforme a investigação, os elementos reunidos apontaram que Angeliquinha teria continuado a liderar a facção criminosa mesmo durante o período em que estava foragida no exterior.

Foragida condenada a 260 anos

Foragida há mais de um ano e apontada pela Polícia Civil como uma das chefes de uma facção criminosa que atua no norte de Mato Grosso, Angélica Saraiva de Sá foi capturada em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.

A prisão ocorreu em uma ação conjunta entre as forças de segurança mato-grossenses e a polícia boliviana. Depois, ela aguardou decisão judicial em Mato Grosso do Sul para retornar a MT.

Ainda conforme a polícia, Angélica acumula mais de 260 anos em condenações por diferentes crimes, entre eles homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa. Ela também tinha seis mandados de prisão em aberto, expedidos ao longo de 2026.

As investigações apontam que ela exercia influência sobre atividades criminosas, principalmente em Alta Floresta e municípios da região, envolvendo tráfico de drogas, extorsões e atividades ilícitas em áreas de garimpo.

Lista dos mais procurados e mudança de aparência

Enquanto estava foragida, Angeliquinha entrou para a lista dos criminosos mais procurados do Brasil.

Nesse período, ela também passou por uma série de cirurgias plásticas e procedimentos estéticos como implante de silicone nos seios, drenagem, preenchimento labial, alongamento do queixo e intervenções relacionadas à harmonização facial.

Conforme a polícia, Angeliquinha foi presa em um polo de cirurgias plásticas de baixo custo, passando por vários procedimentos estéticos durante o período em que esteve na Bolívia.

Foragida com 260 anos em condenações é capturada na Bolívia. - Foto: Reprodução
Foragida com 260 anos em condenações é capturada na Bolívia. – Foto: Reprodução

Em 2022, a criminosa teria ordenado as mortes de quatro homens, que seriam integrantes de um grupo criminoso rival na região norte do estado. As vítimas foram:

  • João Vitor da Silva, de 19 anos;
  • Alan Rodrigues Pereira, de 36 anos;
  • Caio Paulo da Silva, de 31 anos;
  • Jefferson Vale Paulino, de 27 anos;
Vítimas que tiveram mortes ordenadas por Angeliquinha. - Foto: Reprodução
Vítimas que tiveram mortes ordenadas por Angeliquinha. – Foto: Reprodução

No dia do crime, os homens teriam ido até a casa de um dos rapazes para, supostamente, usarem drogas. Eles foram mantidos reféns e torturados até confessarem participação na facção rival, momento em que Angélica ordenou as mortes.

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), outras 14 pessoas teriam envolvimento nos assassinatos das vítimas, que foram para a cidade a trabalho em pavimentações asfálticas.

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