A Justiça de Mato Grosso condenou três integrantes de um grupo criminoso investigado na Operação Escariotes, após apuração da Polícia Civil que começou com o assassinato de Jonathan Kelvin Santos Fernandes, de 20 anos, em Sorriso (MT). A sentença foi proferida no dia 30 de abril de 2026 pela 5ª Vara Criminal de Sinop e detalha um esquema estruturado de atuação dentro e fora do sistema prisional.
Jonathan foi morto em 6 de março de 2024, após ser sequestrado junto com a esposa e sofrer perfurações na região do coração. Ao Primeira Página, o delegado resposnável pelo caso, Bruno França, afirmou que o crime foi ordenado de dentro do presídio Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, por meio de um celular que teria sido introduzido na unidade com ajuda do policial penal Márcio de Figueiredo, um dos condenados. Confira abaixo:
- Daniel de Oliveira Souza — apontado como chefe do grupo
➡️ Condenado por organização criminosa, tráfico de drogas e corrupção ativa
➡️ Pena: 31 anos, 7 meses e 24 dias de reclusão, além de multa - Márcio de Figueiredo — policial penal
➡️ Condenado por organização criminosa, tráfico de drogas e corrupção passiva
➡️ Pena: 19 anos e 4 meses de reclusão, além de multa - Vanilson Nunes de Sousa — integrante da organização
➡️ Condenado por organização criminosa e corrupção ativa
➡️ Pena definida com aumento por reincidência e atuação conjunta com lideranças presas
Segundo a decisão, as penas consideraram a gravidade dos crimes, o nível de organização do grupo e o papel de cada um na estrutura criminosa.
O Primeira Página entrou em contato com as defesas presentes no documento do TJMT, que informaram não representar nenhum dos citados. A reportagem segue tentando localizar a defesa de Daniel, Márcio e Vanilson.
Como funcionava o esquema
De acordo com a sentença, Daniel exercia papel central na coordenação das atividades ilícitas, inclusive enquanto estava no sistema prisional. A Justiça destacou a liderança, reincidência e alta periculosidade, apontando que ele repassava ordens, coordenava integrantes e mantinha o funcionamento da organização criminosa.
O policial penal Márcio de Figueiredo foi condenado por usar o cargo público para favorecer o grupo criminoso.
As investigações apontaram que ele introduzia celulares e drogas no presídio, viabilizava acesso à internet para detentos e facilitava a comunicação entre chefes de facção presos e membros em liberdade.
A Justiça considerou que o uso da função pública agravou significativamente a pena. Ele também responde a processo administrativo.
Já Vanilson foi identificado como peça importante na engrenagem do grupo, atuando na articulação entre integrantes, inclusive com lideranças presas. A Justiça levou em conta a reincidência criminal e a atuação coordenada para aumentar a pena.
As investigações revelaram que o grupo utilizava o WhatsApp para manter a operação ativa, mesmo com integrantes presos. Entre as trocas de mensagens estavam repasse de ordens criminosas, organização do tráfico de drogas, controle financeiro e monitoramento de rivais.
Segundo a sentença, o grupo atuava de forma estruturada, com divisão clara de funções e presença em cidades como Sorriso, Cuiabá e Várzea Grande.
As atividades incluíam:
- tráfico de drogas
- extorsão de comerciantes
- fraudes eletrônicas
- domínio de bairros
A organização também utilizava imóveis como pontos de apoio, veículos para logística e até câmeras para vigilância.
Outro ponto identificado foi a distribuição de cestas básicas e produtos de limpeza em comunidades. De acordo com a investigação, a prática tinha como objetivo ampliar a influência da facção e ganhar apoio da população local.
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