Cesta básica estabiliza em Cáceres em maio, mas batata dispara 25% e pressiona bolso do consumidor

O custo médio da cesta básica em Cáceres interrompeu a sequência de altas dos últimos meses e registrou uma sutil variação negativa de 0,09% em maio.

De acordo com o monitoramento do projeto de Estudos e Pesquisas em Estatísticas Sociais (Epes) da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), o valor do conjunto composto por 31 produtos de primeira necessidade recuou de R$ 1.054,83 em abril para R$ 1.053,88.

Com a oscilação, o preço do mantimento na cidade pantaneira retorna a um patamar muito próximo ao registrado na abertura de 2026, quando o conjunto custava R$ 1.051,41 em janeiro.

No entanto, o alívio geral foi tímido e esconde uma forte pressão interna nos preços dos alimentos.

Limpeza e higiene compensam a alta dos alimentos

A estabilização do índice geral só foi possível graças ao comportamento dos setores de uso doméstico e pessoal, que puxaram a média para baixo e compensaram a inflação da mesa.

  • Higiene Pessoal (-1,63%): O grupo composto por cinco produtos teve como o grande destaque a forte queda no preço do absorvente aderente, que recuou 24,01% em maio.

  • Limpeza Doméstica (-0,44%): Das quatro mercadorias monitoradas, a água sanitária liderou as baixas com redução de 1,66%. A única exceção do setor foi o detergente líquido (500 ml), que encareceu 3,22%.

  • Alimentação (+0,15%): Seguiu em rota de ascensão. O principal vilão do mês foi a batata, que manteve uma trajetória severa de encarecimento e disparou mais 25,17% no período.

Essa configuração consolida uma inversão total em relação ao primeiro trimestre deste ano: em janeiro, as carnes estavam em queda e puxavam a alimentação para baixo, enquanto os produtos de farmácia e limpeza acumulavam as maiores altas.

Frete internacional e clima explicam a pressão

De acordo com o coordenador do projeto Epes/Unemat, Luiz Fernando Jorge da Cunha, a persistente pressão sobre o setor de alimentos em Mato Grosso reflete fatores macroeconômicos e climáticos que fogem do controle do comércio local.

“O panorama energético mundial e a instabilidade geopolítica no Oriente Médio encarecem o frete e os insumos agrícolas. Isso afeta diretamente a cadeia de suprimentos e os custos da produção agropecuária local, encarecendo os produtos que chegam às gôndolas dos supermercados”, explica o pesquisador da Unemat.

Google Notícias

Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia