Uma vistoria realizada pela prefeitura municipal e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) nessa quinta-feira (15) voltou a acender um alerta sobre os casarões deteriorados no Centro Histórico de Cuiabá.
Durante as ações das equipes, foram identificados imóveis em situação de risco, alguns com necessidades de intervenções emergenciais para evitar novos desabamentos.
A preocupação aumenta com a chegada do período chuvoso, já que a água e a ação do tempo podem agravar os danos em construções antigas que não recebem manutenção adequada.
Segundo a Defesa Civil, fatores como abandono, falta de conservação e exposição ao sol e à chuva aceleram a deterioração dos prédios. A Prefeitura de Cuiabá informou que possui estudos e projetos para realizar serviços de escoramento e manutenção nos imóveis sob responsabilidade do poder público.
Além das intervenções emergenciais, o Iphan pretende capacitar engenheiros e arquitetos e orientar proprietários e comerciantes sobre os cuidados necessários para conservar os imóveis tombados.
Também está prevista uma parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) para recuperar construções históricas e formar profissionais em técnicas tradicionais de construção.

Desabamento e fachadas comprometidas
O alerta levantado nesta semana não é novo. Em março deste ano, a antiga Gráfica Pepe, um casarão histórico localizado ao lado do Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (Misc), voltou a apresentar problemas estruturais após dias de chuva e acabou desabando parcialmente.
Uma vistoria técnica, feita na época, apontou o comprometimento da estrutura e, diante disso, a prefeitura confirmou a necessidade de demolir parcialmente a fachada para evitar um desabamento de maiores proporções. Na ocasião, o risco também levou ao fechamento do Misc por mais de um mês.
O caso evidenciou a dificuldade de conciliar a segurança da população com a preservação de construções históricas. A intervenção precisava ser realizada com cuidados específicos por se tratar de um imóvel situado em uma área protegida pelo tombamento.
Em abril de 2025, o Ministério Público de Mato Grosso já havia discutido a situação do Centro Histórico. Na época, pelo menos 50 imóveis tombados apresentavam estruturas comprometidas, segundo levantamento divulgado pelo órgão.
A região protegida reúne cerca de 400 edificações, além de outras construções no entorno. Parte dos imóveis enfrenta problemas de conservação, abandono e falta de manutenção.

Desabamentos anteriores
Em março de 2022, um casarão localizado na Praça Antônio Corrêa, nos fundos da Igreja Nossa Senhora da Boa Morte, desabou durante a madrugada, após fortes chuvas em Cuiabá. A Defesa Civil avaliou os imóveis próximos e pediu que moradores deixassem as residências diante do risco de novos desabamentos.
Na mesma ocasião, outras duas casas foram identificadas com necessidade de demolição, e a passagem de veículos e pedestres nas proximidades foi interditada.
Os episódios mostram como a deterioração dos imóveis históricos pode deixar de ser apenas uma questão de preservação arquitetônica e se transformar em um problema de segurança pública.
Por que tantos casarões de Cuiabá estão abandonados?
O problema vai além das paredes deterioradas: envolve mudanças na cidade, imóveis com vários herdeiros e desafios para manter viva a história da capital.
edificações, aproximadamente, na área tombada pelo Iphan
de área protegida no Centro Histórico de Cuiabá
imóveis, aproximadamente, no entorno do conjunto histórico
Quatro fatores ajudam a explicar o abandono
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1. O Centro perdeu movimento
As mudanças na dinâmica urbana fizeram o comércio e a circulação de pessoas se deslocarem para outras regiões. Com menos atividade, parte dos imóveis perdeu sua função e ficou fechada.
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2. Muitos herdeiros, decisões difíceis
Há casarões que pertencem a espólios, ou seja, fazem parte de heranças. Quando existem vários herdeiros, chegar a um acordo sobre manutenção, reforma ou venda pode ser mais difícil.
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3. Reformar exige cuidados especiais
Imóveis tombados precisam respeitar regras de preservação. As obras exigem técnicas adequadas e planejamento para conservar as características históricas das construções.
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4. Sem manutenção, os danos aumentam
Com o passar do tempo, a falta de conservação e a exposição ao sol e à chuva agravam os problemas estruturais. Em alguns casos, são necessárias medidas emergenciais para reduzir o risco de desabamento.
“Não existe uma solução milagrosa. É um trabalho de integração que precisa ser feito a longo prazo.” Ana Joaquina da Cruz, superintendente do Iphan em Mato Grosso, em entrevista ao Primeira Página.
O que pode ser feito?
Recuperar os prédios e devolver vida ao Centro
Entre as iniciativas citadas na reportagem estão o projeto Cidade Histórica, da Prefeitura de Cuiabá, e ações do Iphan em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que incluem apoio técnico e recuperação de imóveis históricos.
Por que isso importa?
Preservar os casarões não significa apenas manter fachadas antigas. É conservar parte da história de Cuiabá e permitir que esse patrimônio continue sendo conhecido pelas próximas gerações.
Fonte: Primeira Página — “Dia Nacional do Patrimônio Histórico: por que tantos casarões do Centro de Cuiabá estão abandonados?”, publicada em 17 de agosto de 2026.
Os números se referem à área tombada e ao seu entorno, conforme a reportagem.
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