Os bolivianos mortos durante confronto com policiais do Batalhão de Choque estavam envolvidos no assassinato do soldado Marcelo Pimenta, integrante do Grupamento Especializado Tático em Apoio Motociclístico (GETAM) do 6º Batalhão da Polícia Militar, em Corumbá.
A afirmação foi feita pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Renato dos Anjos Garnes, na manhã desta segunda-feira (6).
Luis David Justiniano Flores, de 29 anos, e Alixberto Vasquez Corrales, vulgo Coiote, de 32 anos, foram feridos em uma troca de tiros neste domingo (6).
Inicialmente, a informação era de que a dupla se tornou alvo da polícia após denúncias anônimas de que transportava drogas. Mas, nesta manhã, o comandante afirmou que os bolivianos atuaram no apoio aos suspeitos de matarem o soldado e, por isso, participaram diretamente do crime. Coiote ainda era envolvido com o tráfico na região.
“Os bolivianos deram apoio aos três primeiros que realizaram o atentado contra outro cidadão. Então, eles deram apoio e estão envolvidos diretamente no caso.”
Renato dos Anjos Garnes

A morte de Marcelo
Marcelo foi morto durante atendimento a uma tentativa de homicídio. A equipe foi avisada sobre um atentado a uma residência de Ladário. O morador não foi ferido e os suspeitos fugiram em direção a Corumbá em um carro. O veículo foi interceptado pelos militares e, durante a perseguição, houve troca de tiros.
O soldado foi ferido, chegou a ser socorrido com vida, mas não resistiu.
Houve um desacordo entre traficantes que desencadearam essas ações e a justiça deles é a morte. Então foram para efetuar um homicídio, não conseguiram, mas mataram um policial nosso.
Renato dos Anjos Garnes
Uma força-tarefa foi montada para encontrar os autores e, pouco depois, o carro usado por eles foi encontrado. Dentro dele foram apreendidos dois fuzis, duas pistolas, um revólver calibre .38 e grande quantidade de munições. O flagrante resultou na prisão de uma mulher: Kalissa das Neves Guadalupe.
Mais tarde, outros dois suspeitos foram presos pela policial boliviana: Rubens Zilio Neto e Everton da Silva Viana. Ambos foram entregues à polícia brasileira.
Segundo as informações divulgadas pela polícia, Everton tentou tomar a arma de um dos policiais da equipe e acabou morto na disputa pela pistola.
Já Rubens passou por audiência de custódia e teve a preventiva decretada. No sábado (4), homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) montaram uma operação para transferir o suspeito a um presídio de Campo Grande; no entanto, no meio do caminho, o comboio sofreu um ataque.
A informação é que o pneu da viatura furou e a equipe parou em um posto de combustível para fazer a troca. Nesse momento, um atirador disparou de uma região de mata e feriu Rubens. Ele morreu no local.
“Houve naquele momento a parada e os policiais estavam posicionados, já preocupados com qualquer retaliação ou ação, e o fato ocorreu, foi revidado de momento, mas não conseguimos evitar o fato e não houve a prisão de ninguém naquele instante.”
Renato dos Anjos Garnes
Buscas foram feitas pela mata, mas até o momento não houve presos.
Mais uma morte

Horas depois da morte dos bolivianos, um policiamento na BR-262 terminou em um novo confronto. Dessa vez, o suspeito estava em um Renault Duster e até tentou fugir pela rodovia, mas acabou perseguido.
Após alguns quilômetros, parou o carro e correu para o matagal na margem da rodovia. Na fuga, disparou contra os policiais, que revidaram os tiros e feriram o suspeito.
De acordo com o comandante, o homem era o responsável por trazer veículos frutos do golpe do falso frete para a Bolívia e lá trocá-los por drogas. Ele também transportava cocaína da fronteira para o Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Segundo o comandante, neste ano foram registradas 69 mortes por intervenção policial.