“Autodiagnóstico” nas redes sociais: risco ou oportunidades?

A relação do indivíduo com as redes sociais segue um caminho paradoxal, uma vez que quanto mais a pessoa se conecta à rede, quanto mais adentra suas ruas e ruelas, quanto mais aumenta seu número de amigos, mais sozinho o caminhante das redes passa a sentir-se. A pessoa transforma-se em prolongamento da própria rede, confunde-se com ela, ali estão todos os seus dados em troca de pertencimento.

A confusão com a rede gera uma falsa segurança, o internauta acha que sabe tudo, que resolve tudo, porque tem as respostas a um clique, as soluções de seus problemas na palma de sua mão, mas isso tem um custo alto, que tem como saldo um mal-estar psíquico, um grau considerável de ansiedade pelo medo de estar fora da rede, de estar perdendo informações.

A rede converte-se em estado de necessidade, parece atender todas as suas demandas, inclusive (e muito) na área da saúde, uma área extremamente sensível, onde determinada ação pode ser benéfica ou maléfica, pode salvar uma vida ou acabar com ela. Não podemos esquecer de que máquina é máquina e de que sua inteligência é artificial, portanto, sujeita a erros. Seu uso exige cautela, não pode substituir o raciocínio humano, apenas contribuir com ele.

As enfermidades médicas são inúmeras, os diagnósticos são complexos e os tratamentos dependem do diagnóstico correto. O conteúdo disponibilizado pelo computador pode ser um sinal de alarme, o ponto de partida para a procura de uma consulta médica e não a própria consulta, não deve passar de uma pergunta, jamais deve ser a conclusão de uma consulta. Quando a máquina é usada como substituta da figura médica, o risco de erro é muito grande e pode haver graves consequências.

É certo que a internet trouxe para a comunidade informações técnicas que antes eram restritas aos profissionais, mas infelizmente, há inverdades, que se misturam às informações verídicas. Em se tratando de problemas psíquicos, há de se convir que os diferentes quadros psiquiátricos compartilham muitos sintomas, o que pode induzir a máquina a erros diagnósticos e atribuir doenças inexistentes ou equivocadas.

O lado bom da história é que o paciente já chega ao atendimento médico com alguma noção do que pode ter, mas é importante que saiba que é possível que esteja redondamente enganado. O lado ruim da história é que o internauta começa induzindo a máquina, que absorve suas preocupações e interesses e inverte o papel de induzida a indutora, mantendo a trajetória no rumo da preocupação de seu viajante. Não se pode deixar de levar em conta que o mesmo sintoma em pessoas diferentes ou na mesma pessoa em diferentes momentos, pode estar relacionado a enfermidades diversas.

(Foto: Criada por IA)

O pior de tudo é o tratamento proposto pela máquina ou pelas redes, quando o médico é dispensado, o momento em que o internauta é induzido a automedicar-se ou auto tratar-se por meios não medicamentosos, muitas vezes controversos. Eis o grande risco!

Para chegar-se a um diagnóstico correto, nada substitui a história clínica bem conduzida e o exame físico realizado por um profissional da medicina. As redes não fazem nada disso, a máquina muito menos, daí o risco considerável de erro.

Por isso é importante atentar para fazer o correto: usar o conteúdo da internet para organizar suas queixas, mas lembrar que o diagnóstico e o tratamento são da competência de quem tem conhecimento técnico, ético e olhar clínico: o médico.

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