Mulheres transgênero estão impedidas de participarem em competições femininas nas Olimpíadas de 2028, em Los Angeles, após anúncio feito pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) nessa quinta-feira (26). Para garantir a decisão, testes genéticos deverão ser realizados para determinar a elegibilidade das atletas durante os jogos.
Ainda conforme o anúncio do Comitê Olímpico Internacional, apenas esportistas biologicamente do sexo feminino serão aceitas nas disputas. O teste genético para mulheres será feito uma única vez na carreira, com amostras de saliva ou sangue. A ideia é identificar a presença do gene SRY, localizado no cromossomo Y.
Esse gene é responsável por iniciar o desenvolvimento de características físicas masculinas ainda no útero da mãe. Quem testar positivo para esse gene não poderá participar da categoria feminina.
A política estabelecida pelo Comitê, porém, não se aplica a programas de esporte amador ou recreativo, conforme o portal de divulgação do COI, sendo o impedimento relacionado apenas a competições oficiais.
Vantagem no desempenho
O comitê afirma que a decisão saiu depois de um ano e meio de revisão de estudos científicos, consultas com especialistas de diversas áreas e uma pesquisa com mais de 1,1 mil atletas.
Para Kirsty Coventry, primeira mulher a presidir o COI, as evidências científicas são bem claras: o cromossomo masculino cria vantagens em esportes que envolvem força, potência e resistência.
“A política que anunciamos é baseada na ciência e foi liderada por especialistas médicos. Nos Jogos Olímpicos, até as menores margens podem ser a diferença entre a vitória e a derrota. Portanto, é absolutamente claro que não seria justo para homens biológicos competirem na categoria feminina. Além disso, em alguns esportes, simplesmente não seria seguro”, explicou Kirsty Coventry.

Maioria feminina nas Olimpíadas
No total 351 competições valendo medalha nas Olimpíadas de Los Angeles – 22 a mais que em Paris 2024 – a maioria das vagas é feminina. Segundo o COI, são mais de 5,6 mil vagas femininas contra 5,5 mil masculinas.
Los Angeles incluiu cinco novas modalidades esportivas na competição: beisebol/softbol, críquete, flag football, lacrosse e squash.
Seis provas mistas também passam a integrar o programa olímpico: tiro com arco, revezamento 4x100m misto do atletismo, golfe, ginástica, remo e tênis de mesa. No total, serão 161 eventos femininos, 165 masculinos e 25 mistos.
Única atleta olímpica trans
Apenas uma competidora declaradamente transgênero participou, até hoje, das Olimpíadas: a neozelandesa Laurel Hubbard, do levantamento de peso, que acabou sem medalhas nos Jogos de Tóquio, em 2021. Pelas novas regras, Laurel seria encaminhada para a categoria masculina.

O comitê citou que pode abrir exceções para condições genéticas raras e atletas com distúrbios de desenvolvimento sexual, que podem ter cromossomos ligados ao sexo masculino, mas não se beneficiam do hormônio testosterona.
Influência de Trump?
A medida anunciada pelo COI se adequa à realidade de Los Angeles, já que o presidente norte-americano Donald Trump assinou, no ano passado, uma ação executiva que já proibia mulheres trans no esporte feminino.
Entretanto, Kirsty Coventry nega a influência de Trump na nova política de gênero do COI.
O Comitê Olímpico Internacional foi criado em 1894 para restituir os jogos olímpicos iniciados na Grécia antigamente e promover a competição mundial a cada quatro anos. Em cerca de 20 missões, o COI descreve o princípio de “agir contra qualquer forma de discriminação que afete o movimento olímpico.”
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