Uma árvore que cresceu entre as paredes das antigas construções da Ilha da Banana, no Centro de Cuiabá, vai permanecer no local e deverá fazer parte do novo cenário projetado para a área. A informação foi confirmada pelo prefeito Abilio Brunini, que detalhou que a proposta prevê transformar as estruturas remanescentes e a própria árvore em elementos do projeto arquitetônico e paisagístico.
Segundo Abilio, a revitalização é conduzida pelo governo de Mato Grosso e pretende dar uma nova função ao espaço, oficialmente chamado de Largo do Rosário, além de integrá-lo à Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.
“A obra da Ilha da Banana é uma obra do governo do Estado. É uma obra paisagística e urbanística com finalidade turística e de integração com a Igreja do Rosário”, afirmou o prefeito.
Um dos elementos que deverá sobreviver à transformação é justamente a árvore enraizada no meio das antigas paredes. Segundo Abilio, ela não será derrubada. “As paredes viraram um objeto arquitetônico, urbanístico, junto com a árvore. A árvore permanecerá lá”, disse. Veja:
De demolição a novo espaço no Centro
A definição dá um novo capítulo à história da Ilha da Banana. Como mostrou recentemente o Primeira Página, a área de aproximadamente 5,9 mil metros quadrados já chegou a reunir um conjunto de 15 imóveis e passou por um longo processo de desapropriação e demolição relacionado às obras de mobilidade urbana de Cuiabá.
O local chegou a fazer parte dos planos do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e, posteriormente, foi incluído no projeto original do BRT. Com a rescisão do primeiro contrato do BRT e uma nova licitação, porém, a intervenção no Largo do Rosário ficou fora do contrato atual e passou a ser tratada separadamente pelo Estado.
Em setembro, máquinas começaram a retirar as últimas estruturas existentes na área. Conforme informações divulgadas oficialmente pela Prefeitura de Cuiabá, o contrato para essa etapa é de R$ 731 mil, com prazo de até 60 dias, e inclui demolições, retirada de entulhos, limpeza e regularização do terreno.
A intenção é preparar a área, localizada entre o Morro da Luz, a Igreja do Rosário e a Avenida Tenente-Coronel Duarte, a Prainha, para receber a revitalização. A prefeitura informou que, após anos sem utilização definida, o Largo do Rosário passa a ser tratado dentro de uma proposta de recuperação urbana.
Ilha da Banana já acumulou toneladas de lixo
Antes das demolições, o abandono também marcou a área. Em outubro de 2025, uma operação de limpeza retirou cerca de 20 toneladas de materiais descartados irregularmente, entre entulhos, vegetação, pneus e plásticos. A estimativa da prefeitura, na ocasião, era chegar a aproximadamente 30 toneladas ao fim do serviço.

A história da transformação da Ilha da Banana, porém, começou bem antes. Em 2017, as antigas construções já passavam por desapropriações ligadas às obras de mobilidade. Parte dos imóveis foi demolida naquele período, mas estruturas permaneceram no local durante anos.
Agora, a proposta apresentada por Abilio é que o espaço deixe de ser apenas uma área demolida e seja incorporado ao conjunto histórico do entorno da Igreja do Rosário, com elementos paisagísticos, urbanísticos e turísticos.
E, no meio dessa transformação, pelo menos uma marca dos anos de abandono deverá continuar de pé: a árvore que encontrou espaço para crescer entre as antigas paredes e que agora deverá ser incorporada ao desenho do novo Largo do Rosário.
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