Após matar a esposa, Nilza Moura de Souza Antunes, de 64 anos, e enterrar o corpo dela no quintal de uma casa em Cuiabá, Jackson Pinto da Silva inventou uma história de sequestro e chegou a mostrar à família uma fotografia em que a vítima aparecia amarrada a uma cadeira. O relato foi feito pelo irmão de Nilza durante o julgamento do réu, realizado nessa terça-feira (20).
Segundo os familiares, Jackson comunicou o desaparecimento da esposa em 4 de maio de 2026, afirmando inicialmente que ela havia saído para ir à academia e não retornado. No mesmo dia, porém, mudou a versão e passou a dizer que a mulher havia sido sequestrada e que criminosos exigiam dinheiro para libertá-la.
Para sustentar a história, conforme o depoimento do irmão da vítima, Jackson mostrou uma imagem de visualização única em que Nilza aparecia sentada em uma cadeira, com as mãos amarradas.
O desaparecimento mobilizou familiares e a Polícia Civil, mas as contradições apresentadas pelo marido começaram a levantar suspeitas. Dois dias depois do assassinato, Jackson confessou o crime.
Marido teria inventado histórias para evitar prisão
Durante o julgamento, Jackson voltou a admitir que matou a esposa e ocultou o corpo. Ele afirmou que o crime aconteceu após uma discussão porque Nilza não aceitava o filho que ele teve enquanto os dois estavam separados.
O réu também declarou estar arrependido e reconheceu que inventou histórias para tentar escapar da prisão.
Segundo um investigador da Polícia Civil ouvido no Tribunal do Júri, Jackson procurou três delegacias, registrou o desaparecimento da esposa e também alegou ter sido vítima de um golpe. As diferentes versões apresentadas por ele chamaram a atenção dos investigadores.
O Ministério Público, no entanto, contesta a alegação de que a morte ocorreu durante uma briga. Para a acusação, existem indícios de premeditação e de que Nilza não teve possibilidade de se defender.
Corpo foi enterrado em buraco aberto com retroescavadeira
O corpo de Nilza foi encontrado enterrado a aproximadamente dois metros de profundidade no quintal de um imóvel de propriedade dela, utilizado para aluguel.
De acordo com a investigação, Jackson teria contratado uma retroescavadeira para escavar o terreno, sob a justificativa de que precisava abrir uma fossa.
A escavação, segundo a apuração policial, teria sido utilizada para ocultar o corpo da vítima.

Família relata monitoramento por câmeras e relacionamento abusivo
Quatro testemunhas foram ouvidas durante o julgamento: um investigador da Polícia Civil, o irmão de Nilza e duas sobrinhas da vítima.
Em depoimentos emocionados, as sobrinhas relataram que a tia vivia um relacionamento abusivo e era pressionada pelo marido.
Segundo elas, Jackson mantinha câmeras instaladas na residência e no carro, que seriam utilizadas para monitorar Nilza.
Os familiares também descreveram comportamentos considerados suspeitos durante as buscas, quando ainda acreditavam que a mulher estava desaparecida.
Conforme os relatos, Jackson entrou em contradição diversas vezes ao informar quais roupas a esposa usava no dia em que supostamente havia saído de casa.
Marido teria falado em vender bens enquanto família procurava Nilza
Outro ponto destacado pelos familiares foi o interesse de Jackson pelo patrimônio da vítima.
Segundo os depoimentos, enquanto as buscas por Nilza ainda estavam em andamento, o marido teria mencionado a divisão de bens, a venda de uma caminhonete e a possibilidade de assumir os negócios dela.
Nilza possuía nove imóveis destinados ao aluguel, além de dois carros, e não tinha filhos.
Para o Ministério Público e familiares da vítima, o crime teria motivação financeira. A acusação sustenta que o patrimônio da mulher pode ter sido um dos fatores por trás do feminicídio.
Essa versão é contestada pela explicação apresentada pelo réu, que atribuiu o assassinato a uma discussão conjugal.
O julgamento ocorreu nessa terça-feira (20), em Cuiabá. Jackson pediu que seu rosto não fosse exibido nas gravações da sessão.
A reportagem acompanhou os depoimentos e as manifestações da acusação. O material disponibilizado não informa a pena aplicada ao réu.
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