O último sábado (27) marcou o fim de uma era na música country. Aos 67 anos, Alan Jackson subiu ao palco pela última vez, em Nashville, no Tennessee (EUA), encerrando uma carreira que atravessou décadas e conquistou milhões de fãs ao redor do mundo.
A despedida aconteceu após anos de convivência com a doença de Charcot-Marie-Tooth, uma condição neurológica degenerativa que compromete os nervos periféricos e provoca perda progressiva da força muscular, alterações na sensibilidade e dificuldades para caminhar e manter o equilíbrio.
O artista tornou público o diagnóstico em 2021, revelando que já enfrentava os sintomas havia vários anos. Na época, contou que a doença é hereditária e confessou que permanecer em pé durante os shows já era um grande desafio.
Apesar da limitação física, Alan Jackson continuou se apresentando até concluir a turnê de despedida, encerrada no último fim de semana diante do público de Nashville.

O que é a doença de Charcot-Marie-Tooth?
Segundo a Academia Brasileira de Neurologia, a doença de Charcot-Marie-Tooth é um grupo de enfermidades genéticas que afetam os nervos responsáveis pelos movimentos e pela sensibilidade dos braços e das pernas.
Entre os principais sintomas estão:
- fraqueza muscular de evolução lenta;
- dificuldade para caminhar e manter o equilíbrio;
- deformidades nos pés, como o pé cavo;
- dormência e redução da sensibilidade;
- dores causadas pelo comprometimento dos nervos.
Em algumas variantes, também podem surgir alterações na audição, problemas de visão, escoliose e comprometimento de outras funções neurológicas.

Existe tratamento?
Ainda não existe cura para a doença, mas ela também não costuma reduzir a expectativa de vida dos pacientes.
O tratamento é voltado para preservar a mobilidade, aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Fisioterapia, atividade física orientada, órteses, palmilhas e outros dispositivos de apoio costumam fazer parte do acompanhamento. Em situações específicas, procedimentos ortopédicos também podem ser indicados.

Pesquisas seguem em andamento para desenvolver terapias capazes de modificar a evolução da doença. Entre elas estão estudos com técnicas de interferência de RNA, edição genética por CRISPR/Cas9 e o medicamento experimental PXT3003, voltado para pacientes com uma das formas mais comuns da enfermidade.
Um dos maiores nomes da música country
Ao longo da carreira, Alan Jackson vendeu dezenas de milhões de discos, emplacou inúmeros sucessos nas paradas americanas e conquistou alguns dos principais prêmios da música country. O cantor também recebeu uma das maiores homenagens do gênero ao ser incluído no Country Music Hall of Fame.
No Brasil, sua voz ficou conhecida por integrar trilhas sonoras de novelas. A canção I’ll Try embalou momentos marcantes de Laços de Família, enquanto Chattahoochee fez parte da trilha complementar de América, associada ao universo dos rodeios e da música country.
Alan Jackson encerra uma trajetória que influenciou gerações de artistas e deixa como legado um repertório que permanece entre os mais importantes da história da música country.
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