Empresários e produtores ligados ao agronegócio devem dar peso à disputa eleitoral deste ano, mirando principalmente vagas na Câmara dos Deputados. Em Mato Grosso, quase uma dezena de nomes já se movimenta para disputar cadeiras como titulares, enquanto estreantes na política tendem a compor chapas como suplentes, em articulação com candidatos principais que ainda serão definidos pelos partidos.
Nos bastidores, a movimentação é interpretada como uma estratégia para ampliar a influência do setor no Congresso. Entre os objetivos, estão o enfrentamento de decisões do Supremo Tribunal Federal, especialmente em julgamentos relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023, além do avanço de pautas voltadas à defesa do setor produtivo e ao fortalecimento de políticas para o agronegócio.
Confira alguns nomes de pré-candidatos.
Carlos Ernesto Augustin
Ex-assessor especial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e engenheiro agrônomo, Carlos Augustin, recentemente, se desincompatibilizou do cargo no governo federal para, eventualmente, participar do processo eleitoral de 2026.
Ele assumiu a vice-presidência estadual do PSB, com a bênção dos líderes nacionais da sigla, o prefeito do Recife, João Campos, e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. O presidente da sigla em Mato Grosso, Pedro Taques (PSB), é pré-candidato ao Senado Federal e Augustin foi convidado para compor a chapa como suplente, mas ainda não há definição sobre o projeto.
Augustin atua há mais de quatro décadas em atividades relacionadas à produção agrícola, sementes, representação institucional e liderança de entidades setoriais. Também já foi presidente da Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) entre os anos de 2011 e 2013, e presidente da Associação dos Produtores de Sementes do Mato Grosso (Aprosmat) entre 2013 e 2016.
Carlos Fávaro
O senador Carlos Fávaro deve buscar reeleição ao cargo este ano. Ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Fávaro participou ativamente da campanha do presidente Lula, e a sua experiência com o agronegócio foi bem vista pela cúpula do PT para assumir a pasta.

Ainda em 2014, Fávaro foi eleito vice-governador do estado do Mato Grosso (MT). Dois anos mais tarde, foi nomeado secretário de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso. Nas eleições de 2018, lançou-se ao Senado para disputar uma das duas vagas por Mato Grosso naquele ano, mas acabou derrotado.
No ano seguinte, a senadora Selma Arruda e suplentes tiveram mandatos cassados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por uso de caixa dois nas eleições de 2018. Fávaro então tomou posse como senador interino até a eleição suplementar convocada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) em 2020, na qual se elegeu. O mandato de Fávaro no Senado vai até 2027.
Cidinho Santos
O ex-senador e empresário da avicultura, Cidinho Santos (PP) está escalado para entrar na suplência na chapa de Mauro Mendes (União) ao Senado. Recentemente, Cidinho deixou a presidência do Conselho de Administração da Nova Rota do Oeste.

Anteriormente, Cidinho já havia ocupado a vaga no Senado, durante afastamentos de Blairo Maggi, no período em que era o titular no Senado Federal. A atuação dele foi marcada pela defesa do setor produtivo agrícola e foi titular nas comissões de Assuntos Econômicos, Infraestrutura e Relações Exteriores.
Filho de retirantes nordestinos, mora em Mato Grosso desde a década de 1980. No estado, foi prefeito do município de Marilândia por três mandatos, o primeiro deles iniciado quando tinha 23 anos. Cidinho Santos também já presidiu a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM).
Antônio Galvan
Anteriormente anunciado pré-candidato ao Senado pelo Democracia Cristã, Antônio Galvan migrou para o partido Avante, após ter seu projeto inviabilizado no DC, que pretendia lança-lo como deputado federal. No novo partido, segundo ele, terá espaço para concorrer ao cargo pleiteado e mais autonoia para atuar diretamente na construção de chapas em Mato Grosso.

Nascido em Sananduva, no Rio Grande do Sul, no ano de 1957, Antônio Galvan migrou para o Paraná na década de 1980, onde atuou com a família como produtor rural durante sete anos, antes de chegar a Mato Grosso, em 1986.
Com formação técnica em contabilidade, e experiência em agricultura e pecuária, é produtor rural no município de Vera, no norte do Estado. Foi presidente do Sindicato Rural de Sinop e diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso, a Famato. Também ocupou o cargo de presidente da Aprosoja Mato Grosso durante o triênio 2018/2021 e depois foi presidente da Aprosoja Brasil. .
Nelson Barbudo
O pecuarista e deputado federal Nelson Barbudo pretende buscar a reeleição ao cargo, mas desta vez pelo partido Podemos. O parlamentar trocou o Partido Liberal pela nova sigla, comandada em Mato Grosso pelo presidente da Assembleia Legislativa (ALMT), Max Russi.

Natural de Monte Aprazível (SP), colocou seu nome à prova pela primeira vez nas eleições de 2004, concorrendo ao cargo de vereador em Alto Taquari (MT), sendo eleito o mais votado com 281 votos. Em 2018, colocou seu nome à disposição, dessa vez concorrendo a uma cadeira na Câmara Federal. Novamente foi eleito, com 126.249 votos.
Após a morte da deputada Amália Barros (PL), assumiu a vaga oficialmente. Com forte atuação conservadora e ruralista, defende a flexibilização da exploração de recursos naturais e o fortalecimento das atividades agropecuárias.
Neri Geller
Também recém-filiado ao Podemos, o ex-deputado federal Neri Geller integra a chapa do partido em Mato Grosso para disputar um cargo federal, marcando seu retorno à política. Geller já ocupou o cargo de ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no governo de Dilma Rousseff, em 2014, e, por duas ocasiões, foi secretário de Política Agrícola do Ministério, em 2013 e 2016.

Natural do município de Selbach, no Rio Grande do Sul, construiu a carreira profissional e política em Lucas do Rio Verde (MT). Filiado ao PSDB, foi eleito vereador de Lucas em 1996 e reeleito em 2000. Buscou eleição como deputado federal em 2006, sendo eleito como suplente. Exerceu temporariamente após licença da deputada Thelma de Oliveira.
Odilio Balbinotti
Megaempresário do setor de sementes, Odilio Balbinotti confirmou sua pré-candidatura como suplente do deputado federal José Medeiros (PL) ao Senado nas eleições deste ano. Nome forte do agro em Rondonópolis (MT), chegou a ser cotado para concorrer ao governo de Mato Grosso pelo Partido Liberal e até foi recebido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em Brasília, porém recuou.

Durante as eleições municipais de 2024, chegou a ser um dos maiores doadores de campanhas do Brasil, conforme dados do Divulga Cand, do Tribunal Superior Eleitoral. Em setembro daquele ano, figurou em 1º lugar na lista dos maiores doadores de campanha do país, doando mais de R$ 1.262.500 para candidatos de partidos de direita em Mato Grosso.
Thiago Boava
Produtor rural e viúvo da deputada federal falecida, Amália Barros (PL), o pecuarista Thiago Boava colocou seu nome à disposição e foi confirmado pré-candidato a deputado federal pelo Partido Liberal no pleito deste ano. O anúncio foi feito por meio de um vídeo, nesta segunda-feira (13).

Próximo da família Bolsonaro, Boava chegou a pleitear no Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para visitar Jair Bolsonaro (PL) no dia 25 deste mês, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília (DF), pedido este que foi aceito pelo ministro Alexandre de Moraes. Contudo, com a prisão domiciliar do ex-presidente, não há novas atualizações da decisão.
Quando faleceu, a esposa de Boava, Amália Barros, estava em seu primeiro mandato como deputada federal. Amiga pessoal da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, ela se filiou ao Partido Liberal para concorrer a uma das oito vagas do Estado na Câmara Federal e foi eleita em 2022. Ela faleceu em 12 de maio de 2024, aos 39 anos, no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo.
Eleições 2026
Neste ano, os brasileiros deverão votar também para eleger o próximo presidente e vice-presidente da República, 27 governadores, 513 deputados federais, 1.035 deputados estaduais ou distritais e 54 senadores.
O primeiro turno está marcado para o dia 4 de outubro. O segundo turno acontecerá no dia 25 de outubro. A votação começará às 8h e terminará às 17h, sendo a votação uniformizada pelo horário de Brasília em todos os estados e no Distrito Federal.
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