Agricultura familiar abastece MT, mas ainda trava na venda e gestão no campo

Pequena no nome, mas gigante na prática, a agricultura familiar se consolida como uma das principais responsáveis pelo abastecimento alimentar em Mato Grosso, chegando a responder por até 90% da oferta de algumas frutas consumidas no estado. O dado, destacado no episódio desta semana do podcast Agro de Primeira MT, reforça um cenário que vai além da produção.

A secretária de Estado de Agricultura Familiar, Andréia Fujioka, convidada da semana, explica que, apesar da alta representatividade, o maior desafio hoje não está mais em produzir, mas em transformar essa produção em renda sustentável.

“A produção não é mais o principal gargalo. O desafio é conseguir se organizar, agregar valor ao produto e vender de forma contínua, com regularidade e preço justo”, afirma.

Segundo a gestora, Mato Grosso conta com cerca de 81 mil estabelecimentos de agricultura familiar, distribuídos por todo o território. Essas propriedades são responsáveis por grande parte dos alimentos que chegam diariamente à mesa da população, como frutas, hortaliças, leite e derivados. Em algumas cadeias específicas, como a fruticultura, a dependência do pequeno produtor é ainda mais evidente.

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Apesar disso, muitos agricultores ainda enfrentam dificuldades para acessar mercados mais estruturados. A falta de organização produtiva, de planejamento e de conhecimento sobre demanda e comercialização acaba limitando o potencial de crescimento.

“Não adianta produzir se você não sabe para quem vai vender. O produtor precisa entender o mercado, o custo de produção e se organizar para ter renda ao longo do ano”, destaca Andréia.

Outro ponto central levantado pela secretária é a necessidade de fortalecer o cooperativismo e o associativismo no estado. Diferente de regiões como o Sul do país, onde as cooperativas são mais consolidadas, Mato Grosso ainda está em processo de estruturação nesse aspecto.

“Precisamos dessas organizações para ganhar escala, melhorar a logística e garantir uma venda mais eficiente. Isso é fundamental para aumentar a renda do produtor”, explica.

A agregação de valor também aparece como um caminho estratégico. Produtos que passam por algum tipo de beneficiamento, como queijos, cafés especiais ou frutas processadas, conseguem melhores preços e ampliam as oportunidades de mercado.

“Quando o produtor deixa de vender apenas a matéria-prima e passa a agroindustrializar, ele ganha mais e fortalece toda a cadeia”, afirma a secretária.

Por fim, Andréia Fujioka reforça que não há disputa entre a agricultura familiar e a produção em larga escala, mas sim complementaridade.

“Não existe competição. São produções diferentes, mas que se completam. O agro de Mato Grosso só é o que é hoje porque tem os dois lados funcionando”, conclui.

O cenário mostra que, embora já seja protagonista no abastecimento interno, a agricultura familiar ainda tem espaço para crescer, especialmente se conseguir superar os gargalos de organização, mercado e valor agregado.

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