O café produzido por indígenas de Rondolândia, em Mato Grosso, conquistou o prêmio máximo do 1º Concurso de Qualidade do Café de Mato Grosso, realizado no sábado (31), em Juína. O produtor Miguel Suruí ficou em primeiro lugar na categoria Excelência Suprema, destinada a reconhecer o melhor café entre os melhores da competição. Ao todo, três produtores indígenas do município conquistaram cinco premiações.
Além do prêmio máximo, Miguel Suruí também conquistou o primeiro lugar na categoria Café Fermentado, com 87,67 pontos. Já Rafael Gameb Suruí ficou em segundo lugar nas duas categorias, com 86,67 pontos. O terceiro indígena premiado foi Naraykoalab Suruí, que alcançou a terceira colocação na categoria Café Fermentado, com 85,42 pontos.
Os três produtores são de Rondolândia, município localizado no noroeste de Mato Grosso. A conquista colocou a produção indígena entre os destaques da cafeicultura estadual, em uma competição que reuniu participantes de 16 municípios.
Além das premiações, outro resultado chama a atenção: o aumento da produtividade nas lavouras indígenas de Rondolândia.
Segundo o extensionista da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer-MT), Hayath Alves, que acompanha os produtores desde 2020, a produção, que antes variava de 30 a 40 sacas por hectare, agora ultrapassa 100 sacas por hectare em algumas propriedades.
O avanço está relacionado à introdução de técnicas de adubação, irrigação e manejo sustentável, além da utilização de produtos biológicos para reduzir o uso de químicos nas lavouras.
De acordo com o técnico, a assistência personalizada tem contribuído para melhorar a qualidade dos grãos, ampliar a renda das famílias e fortalecer a produção nas comunidades indígenas.
Mato Grosso tem mais de 400 famílias produtoras de café
O concurso foi realizado pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf-MT), em parceria com o Sebrae-MT e apoio técnico da Empaer.
A competição teve como objetivo reconhecer a qualidade do café Robusta Amazônico produzido no estado e ampliar as oportunidades de comercialização nos mercados regional, nacional e internacional.

Atualmente, Mato Grosso possui 29 municípios produtores de café e mais de 400 famílias envolvidas na atividade. Na primeira edição do concurso, produtores de 16 municípios participaram da disputa.
A programação começou em junho, em Colniza, considerado o maior produtor de café do estado, e terminou em Juína, município onde a cafeicultura teve papel importante na economia local entre o fim da década de 1980 e os anos 1990.
O evento de encerramento reuniu mais de 500 pessoas, além de expositores de cafés, queijos, doces e outros produtos da agricultura familiar.
Confira os cafés premiados em Mato Grosso
Categoria Café Fermentado
- Miguel Suruí, de Rondolândia: 87,67 pontos.
- Rafael Gameb Suruí, de Rondolândia: 86,67 pontos.
- Naraykoalab Suruí, de Rondolândia: 85,42 pontos.
Categoria Café Natural por Clone
- Cícero Leandro da Silva, de Juara: 86,50 pontos.
- Kleberson Moises Arce, de Aripuanã: 83,83 pontos.
- Josimar Bredel, de Colniza: 83,58 pontos.
Categoria Café Natural Blend
- Avelino Tiago da Silva, de Paranaíta: 86,17 pontos.
- José Sergio Filho, de Alta Floresta: 84,33 pontos.
- Ivaldo Gomes de Araújo, de Aripuanã: 83,25 pontos.
Categoria Excelência Suprema
- Miguel Suruí, de Rondolândia: 87,67 pontos.
- Rafael Gameb Suruí, de Rondolândia: 86,67 pontos.
- Cícero Leandro da Silva, de Juara: 86,50 pontos.
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