A confirmação de novos focos da doença de Newcastle em estabelecimentos comerciais de Santa Catarina e a detecção de um vírus em pombos de vida livre acenderam o sinal de alerta para a avicultura em todo o Brasil. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou registros da enfermidade no município de Coronel Freitas (SC) e o isolamento do paramixovírus aviário tipo 1 em pombos de vida livre fora da área de contenção, em Marema (SC).
Em Mato Grosso, o último caso registrado da doença de Newcastle ocorreu há exatos 20 anos, em outubro de 2006. Para preservar a sanidade dos plantéis comerciais e de subsistência, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) reforçam a importância da vigilância contínua para evitar qualquer risco de entrada da doença e proteger a economia do estado.
Apesar do cenário de atenção, as autoridades sanitárias garantem que o consumo de carne de aves e ovos submetidos à inspeção oficial permanece totalmente seguro para a população.
“A Famato orienta todos os produtores rurais do estado de Mato Grosso a redobrar os cuidados em relação à biosseguridade das suas granjas ou, se não, se você é um produtor que tem as aves criadas no fundo de quintal, dentro da sua propriedade, também redobre os cuidados para que essas aves não entrem em contato com as aves de vida livre, como os pombos”, explicou o assessor técnico de Pecuária da Famato, Marcos Carvalho.
Biossegurança nas granjas
Entre as principais recomendações para conter a atração e o acesso de pombos e outras aves de vida livre às granjas, o Indea-MT destacou a importância de:
- Barreiras físicas a partir da manutenção de telas, portas e cortinas em galpões comerciais para eliminar frestas.
- Proteção de suprimentos, como cobertura de comedouros, bebedouros, silos e depósitos de ração, além do recolhimento de sobra de alimentos.
- Intensificação da desinfecção de veículos, utilização de calçados/vestimentas exclusivas e controle rigoroso no registro de visitantes.
“Os sintomas da doença de Newcastle, normalmente, acometem a parte respiratória e a parte nervosa dos animais. Então, se as aves começarem a ter espirros, coriza, como se fosse uma gripe forte, pode ser a doença de Newcastle. Também sinais nervosos, como dificuldade de andar. O animal fica numa posição que a gente fala de torcicolo, quer dizer, ele agacha, fica com a cabeça encostada no chão, olhando para o céu. Então, nessa posição também é uma posição suspeita dessa doença”, alerta o assessor.
Ele também destacou que, quando um produtor notar o aumento de mortalidade, precisa chamar imediatamente o Indea, para que seja feita a coleta de dados e análises necessárias para prevenir uma epidemia entre granjas.
“Além disso, tem uma parceria entre o INDEA e a UFMT que é possível fazer o diagnóstico diferencial, ou seja, vai pesquisar outras doenças, se não for a doença de Newcastle ou a influenza aviária, para realmente identificar o que está acometendo as aves desse criador.”

Impacto no Mercado Internacional e Exportações
A confirmação dos focos no cenário nacional desencadeou reações imediatas nos mercados compradores de carne avícola. Países como México, China e Chile estabeleceram suspensões temporárias das importações de produtos avícolas brasileiros, com restrições variando entre bloqueios nacionais e regionalizados em Santa Catarina.
Apesar de o México ter suspendido temporariamente compras do setor avícola de todo o Brasil, análises do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que a exposição direta de Mato Grosso a este mercado é reduzida (representando cerca de 1,59% das exportações estaduais de carne de frango no ano). O Ministério da Agricultura e Pecuária mantém negociações permanentes com as autoridades sanitárias internacionais para demonstrar a eficácia dos protocolos de contenção adotados no país.
“Então, produtores rurais, vamos nos unir, prestar atenção nas nossas aves, cuidar desses animais, evitando que elas entrem em contato com outras aves de vida livre, como gansos, pombos, patos, e prevenir ao máximo para que essa doença não entre em nosso plantel”, concluiu Marcos Carvalho.
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