Mulheres vítimas de violência poderão ser protegidas mesmo fora do Brasil após acordo do Mercosul

Mulheres vítimas de violência poderão contar com medidas protetivas válidas além das fronteiras brasileiras. A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (28) um acordo do Mercosul que permite que decisões judiciais concedidas em um país sejam reconhecidas e executadas nos demais integrantes do acordo. O texto segue para votação no Senado Federal.

Acordo internacional garante o reconhecimento de medidas protetivas para mulheres além das fronteiras. (Foto: Imagem gerada por IA)
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O texto aprovado pela Câmara está previsto no Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 274/26, de autoria da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul. Assinado em Assunção, no Paraguai, em julho de 2022, o acordo reúne os países-membros do Mercosul, entre eles estão:

  • Brasil
  • Argentina
  • Paraguai
  • Uruguai
  • Bolívia
  • Chile
  • Equador

Na prática, a medida busca evitar que a proteção concedida a uma vítima deixe de ter efeita quando ela se deslocar para outro país participante do acordo.

Ordem Mercosul de Proteção

Um dos principais pontos do texto é a criação da Ordem Mercosul de Proteção (OMP). O mecanismo poderá ser emitido pela autoridade judiciária responsável por conceder a medida protetiva à vítima.

Com isso, a determinação poderá ser reconhecida e executada em outro país signatário, sem a necessidade de iniciar um novo processo para obter proteção semelhante.

Selo basta contra a violência. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)
Selo basta contra a violência. (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

A solicitação da OMP poderá ser feita por mulheres que estejam visitando ou passando a residir em outro país integrante do acordo.

Restrições ao agressor

A Ordem Mercosul de Proteção poderá abranger diversas medidas destinadas a garantir a segurança da vítima. Entre elas estão a:

  • Proibição de aproximação e contato por parte do agressor
  • Restrição de acesso a locais determinados
  • Suspensão da posse, do porte e do uso de armas

O acordo também prevê a utilização de tecnologias de monitoramento, como dispositivos de geolocalização e rastreamento, incluindo tornozeleiras eletrônicas, sempre que houver disponibilidade tecnológica no país responsável por executar a medida.

Violência contra mulher / medida protetiva
Acordo reforça a segurança das vítimas durante viagens ou mudanças de residência. (Foto: Reprodução)

Próximos passos

Após a aprovação na Câmara dos Deputados, o texto seguirá para análise do Senado Federal. Caso receba aval dos senadores, o acordo avançará no processo de incorporação ao ordenamento jurídico brasileiro.

Durante a votação, a relatora da proposta, deputada Benedita da Silva (PT-RJ), afirmou que o acordo fortalece princípios como a dignidade da pessoa humana, a igualdade de gênero e a defesa dos direitos humanos nas relações internacionais.

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