Cachorrinha supera câncer após vaquinha arrecadar doações para tratamento

A cachorrinha Bombom, de 5 anos, ganhou uma nova chance de viver depois de enfrentar um câncer de mama. Moradora de Cláudia (MT), ela precisou viajar até Sinop (MT) para receber atendimento especializado, passar por uma cirurgia e vencer a doença. Mas essa história de superação teve a participação de muitas pessoas que, por meio de uma vaquinha, ajudaram a pagar o tratamento e transformaram a preocupação da tutora, Liriel, em esperança.

A história das duas começou bem antes do diagnóstico. Bombom foi adotada por ela quando ainda vivia em condições precárias, com o corpo tomado por carrapatos e sinais de falta de cuidados. Desde então, encontrou um lar e uma tutora disposta a fazer o possível para protegê-la.

Cachorrinha Bombom se cura de câncer com ajuda de vaquinha. – Foto: Reprodução

Anos depois, foi justamente a atenção de Liriel que revelou que algo não estava bem. Um pequeno caroço apareceu em uma das mamas de Bombom, mas, inicialmente, a tutora acreditou que fosse uma alteração relacionada à gravidez psicológica, já que havia observado sintomas semelhantes em outra cachorrinha.

O tempo passou, porém, e o nódulo não desapareceu. Pelo contrário, continuou crescendo durante mais de um ano. Como Cláudia é um município pequeno, Liriel encontrou dificuldades para conseguir atendimento especializado. Com a ajuda de uma amiga, levou Bombom até Sinop, percorrendo 90 quilômetros entre as cidades, onde exames confirmaram o diagnóstico de câncer de mama.

Segundo estudo desenvolvido pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), o câncer em cachorros é, em sua maioria, maligno (78% dos casos), com a ocorrência nas glândulas mamárias sendo o segundo mais comum, com 24% de chance, que podem se agravar com o avanço da idade e caso a cadela não seja castrada.

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Bombom se recuperou graças ao olhar apurado de sua tutora e ajuda de pessoas que se comoveram com sua história. – Foto: Reprodução

A notícia deu início a uma nova batalha. Bombom precisava de uma cirurgia, acompanhamento com uma especialista em oncologia veterinária e medicamentos. Os custos, no entanto, estavam além do que a tutora conseguiria pagar sozinha.

Foi então que a história ganhou novos personagens. Sensibilizadas com a situação, pessoas passaram a contribuir com uma vaquinha organizada por Liriel. Vieram doações em dinheiro, medicamentos, mensagens de carinho e orações.

“Consegui montar uma vaquinha. As pessoas colaboraram para ajudar, porque o tratamento não é barato. Teve ajuda de todas as formas, tanto em palavras como em dinheiro, medicações, orações e mensagens positivas”, contou.

Com o apoio recebido, Bombom passou pela cirurgia para retirada do tumor. O pós-operatório exigiu paciência e cuidados, especialmente por causa da quantidade de medicamentos necessários durante a recuperação.

“Graças a Deus, ela retirou tudo. A cirurgia teve um pós que foi um pouco difícil, porque ela tomava muita medicação, mas foi um processo que, no fim, deu tudo certo”, comemorou Liriel.

Hoje, a tutora celebra a recuperação da companheira de quatro patas, que enfrentou o diagnóstico com ajuda de profissionais especializados e de uma corrente de solidariedade.

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Outubro Rosa também se extende aos pets, afirma veterinária. – Foto: Reprodução

Câncer de mama também atinge animais

A história de Bombom chama atenção para um problema que também faz parte da campanha Outubro Rosa: o câncer de mama em animais de estimação.

Segundo a médica-veterinária Bruna, os tumores mamários são frequentes em cadelas e também podem atingir gatas. A identificação precoce é um dos fatores mais importantes para aumentar as possibilidades de sucesso no tratamento.

A especialista explica que pequenos nódulos podem ser percebidos durante momentos simples de carinho. A orientação é observar regularmente toda a região mamária, desde as axilas até a virilha, dos dois lados do corpo do animal.

“A gente consegue identificar nódulos bem pequenos, até do tamanho de um grão de arroz. Quanto antes a detecção, melhor”, explicou.

Nas cadelas, a doença pode aparecer a partir dos 5 anos de idade. Já nas gatas, os tumores mamários tendem a apresentar um prognóstico mais delicado. A veterinária também alerta para fatores que merecem atenção, como a obesidade e o uso de injeções anticoncepcionais para impedir o cio. Esses medicamentos hormonais podem aumentar o risco de alterações mamárias e não devem ser utilizados sem orientação veterinária.

Outro ponto importante é não esperar que o caroço aumente para buscar ajuda. Mesmo alterações pequenas precisam ser avaliadas por um profissional, já que nem todo nódulo é maligno e o diagnóstico depende de exames específicos. O tratamento varia conforme o tipo de tumor, o estágio da doença e as condições de saúde do animal, podendo incluir cirurgia e outras medidas recomendadas pelo especialista.

No caso de Bombom, a cirurgia trouxe o desfecho que Liriel tanto esperava. Depois de ter sido resgatada e ganhar uma família, a cachorrinha encontrou, mais uma vez, pessoas dispostas a ajudá-la. E, entre doações, cuidados e muito carinho, Bombom ganhou aquilo que nenhuma vaquinha consegue medir em dinheiro: mais tempo ao lado de quem a ama.

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