Uma sapataria onde o principal objetivo não é consertar sapatos, mas melhorar a forma de caminhar. Em Sinop (MT), um espaço que funciona há cerca de seis anos transforma calçados e produz palmilhas ortopédicas para ajudar crianças e adultos que enfrentam dores e dificuldades de locomoção.
O serviço une técnicas tradicionais de sapataria a conhecimentos de saúde, com adaptações feitas conforme as necessidades de cada paciente. O atendimento contempla moradores de Sinop e de outros municípios da região por meio da rede pública de saúde.
Entre as pessoas que procuraram ajuda está Camila Espíndola, mãe de uma menina de 12 anos que sente dores ao usar sapatos. Segundo ela, encontrar um calçado confortável para a filha sempre foi um desafio.
“Nunca consegui comprar sapato para ela. Todo sapato que eu compro, ela sempre reclama: ‘Mãe, tá doendo. Mamãe, não consigo usar’. Ela tem 12 anos e acredito que, se deixar do jeito que está, vai ter um problema muito sério na coluna, porque ela pisa torto”, contou.
Na oficina, o trabalho é conduzido por Oscar Fritsche, profissional que começou a se especializar em adaptações ortopédicas no início dos anos 2000. O interesse surgiu quando ele conheceu a possibilidade de utilizar técnicas de sapataria para ajudar pessoas que conviviam com dores.
“Foi na época de 2000 para 2001 que surgiu essa ideia aqui em Sinop. Fomos convidados para os primeiros treinamentos e foi algo muito cativante para mim. Ver o paciente vindo com dor e indo embora praticamente 90%, 95% sem dor é muito gratificante”, relatou.

Com cursos e aperfeiçoamento, Oscar passou a trabalhar com uma proposta diferente da sapataria convencional. Em vez de apenas reparar calçados danificados, o objetivo é modificar a estrutura dos sapatos para proporcionar mais conforto e melhorar o apoio dos pés durante a caminhada.
“Antigamente era um conserto de calçado. Hoje é uma adequação para o paciente andar melhor, sentir menos dor e ter um final de dia mais confortável”, explicou.
As adaptações são feitas após avaliações das necessidades ortopédicas de cada pessoa. Os problemas podem ser congênitos, quando estão presentes desde o nascimento, ou adquiridos ao longo da vida.
Dependendo do caso, os profissionais confeccionam palmilhas específicas ou modificam os calçados que os pacientes já utilizam.

“O que a gente visa é trabalhar em cima dos problemas ortopédicos que as pessoas apresentam. Pode ser um adulto, uma criança, uma condição congênita ou adquirida. Com base nas avaliações, fazemos uma palmilha ou uma adaptação no calçado para proporcionar mais conforto”, explicou o profissional.
A iniciativa mostra como uma atividade tradicional pode ganhar novas funções ao longo do tempo. Em Sinop, ferramentas, materiais e técnicas de sapataria são utilizados para atender necessidades que vão muito além da aparência dos calçados.
Para quem convive com dores a cada passo, uma pequena adaptação pode representar uma grande mudança na rotina. Afinal, nessa sapataria, o que se busca recuperar não é apenas o sapato, mas o conforto de quem o usa.
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