A morte de Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, durante uma lipoaspiração e colocação de próteses mamárias em Cuiabá, passou a ser acompanhada pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT). A jovem morreu na última sexta-feira (16), durante os procedimentos realizados no Hospital Geral. A Polícia Civil também investiga o caso e deverá ouvir o médico responsável pela cirurgia e os demais profissionais que participaram do atendimento.
Segundo o boletim de ocorrência, Lurdes apresentou complicações durante o procedimento cirúrgico. A equipe médica realizou manobras de reanimação, mas a paciente não resistiu.
A investigação está sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), por meio do setor responsável pela apuração de mortes que possam envolver negligência médica.
A Polícia Civil informou que o inquérito está em fase inicial e que ainda não há informações conclusivas sobre a causa da morte. O laudo necroscópico, que poderá ajudar a esclarecer o que aconteceu durante a cirurgia, ainda não havia sido disponibilizado aos investigadores.
CRM explica como funciona apuração de possível erro médico
O corregedor do CRM-MT e cirurgião plástico Magno Cezar Stefani explicou que a apuração de possíveis irregularidades na conduta de médicos pode começar por uma sindicância, procedimento preliminar destinado a verificar se existem elementos que justifiquem a abertura de um processo ético-profissional.
Segundo ele, a abertura de uma sindicância não significa que o profissional tenha cometido alguma irregularidade. “A sindicância é uma investigação preliminar. Ela não indica culpa. Indica necessidade de se avaliar um determinado caso. Na sindicância vai se determinar se isso precisa de uma investigação mais aprofundada, que é quando vira um processo ético”, explicou.
Caso sejam identificados indícios que justifiquem o aprofundamento da apuração, poderá ser instaurado um processo ético-profissional.

Nessa etapa, o conselho poderá analisar prontuários médicos, ouvir testemunhas e avaliar documentos produzidos pela Polícia Civil, pela perícia técnica e pelo Instituto Médico Legal (IML).
De acordo com Stefani, o objetivo é verificar se houve alguma conduta que possa caracterizar negligência, imprudência ou imperícia médica. Após a análise dos elementos reunidos, um conselheiro responsável pela relatoria apresenta seu voto, que será submetido à avaliação do plenário do conselho.
O CRM-MT não confirmou, nas informações disponibilizadas até o momento, a abertura de uma sindicância específica contra o médico responsável pela cirurgia de Lurdes.

Polícia vai ouvir médico responsável pela cirurgia
Paralelamente ao acompanhamento do CRM-MT, a Polícia Civil instaurou um inquérito para esclarecer as circunstâncias da morte da jovem. Segundo a DHPP, os investigadores deverão ouvir os profissionais que participaram da cirurgia e do atendimento prestado à paciente, incluindo o médico responsável pelos procedimentos.
A investigação também vai analisar se houve negligência, imprudência ou imperícia médica, além de possíveis irregularidades relacionadas à estrutura hospitalar e aos protocolos adotados durante o atendimento.
A Polícia Civil informou que aguarda os laudos periciais necessários para avançar nas apurações. Até o momento, os investigadores ainda não tiveram acesso ao laudo necroscópico.
Sem esses resultados, não é possível determinar o que provocou a morte da jovem nem estabelecer eventual responsabilidade dos profissionais envolvidos. Ainda não há previsão para a conclusão do inquérito.
Defesa afirma que paciente passou por avaliações antes da cirurgia
O médico responsável pelos procedimentos, Euller Gustavo Preza, é representado por advogados que afirmam que Lurdes passou por todas as avaliações pré-operatórias exigidas antes da cirurgia.
Em nota, a defesa informou que os procedimentos foram realizados em ambiente hospitalar adequado e contaram com a participação de profissionais habilitados.
Os advogados sustentam, portanto, que as condições necessárias para a realização da cirurgia foram observadas. As circunstâncias da morte, no entanto, ainda dependem da conclusão dos exames periciais e das investigações conduzidas pela Polícia Civil.
Causa da morte ainda é desconhecida
Lurdes morreu no dia 16 de outubro, durante os procedimentos de lipoaspiração e colocação de próteses mamárias no Hospital Geral de Cuiabá. O caso gerou comoção e levantou questionamentos sobre as circunstâncias da cirurgia.
A Polícia Civil ressaltou que a investigação ainda está no início e que não divulgará outros detalhes neste momento para não comprometer as diligências.
O resultado dos exames periciais deverá ser fundamental para esclarecer a causa da morte e verificar se houve alguma falha durante o procedimento ou no atendimento prestado à paciente.
Até que as investigações sejam concluídas, não há confirmação de erro médico ou de responsabilidade criminal pela morte da jovem.
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