A manhã desta terça-feira (15) foi marcada por embates entre ministros e duas baixas no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) durante o julgamento que decide se Alexandre de Moraes poderá ser investigado por sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. A sessão foi interrompida às 13h e o julgamento está em pausa, com retomada prevista para as 15h (horário de Brasília).
Durante as primeiras horas da sessão extraordinária, Gilmar Mendes e Flávio Dino questionaram atos praticados por Fachin relacionados à tramitação dos processos que envolvem acusações contra Moraes e também contra o ministro André Mendonça.
Em resposta, Fachin afirmou que não tomou qualquer decisão para avocar, ou seja, tomar para si, a relatoria dos processos. Segundo o presidente do Supremo, os autos foram encaminhados à Presidência pelo próprio ministro relator.
“Os autos foram encaminhados pelo ministro relator à presidência”, afirmou Fachin. “Porque o juiz natural para julgar essa matéria é o plenário”, acrescentou. Ele sustentou ainda que, em nenhum momento, destituiu o relator dos casos.
Ainda durante a explanação de uma questão de ordem, Gilmar Mendes chegou a acusar Mendonça de tentar interferir no processo eleitoral. “É evidente que se trata de um pixuleco, de um boneco eleitoral”, disse o decano.

Além dos embates, o julgamento contou ainda com duas baixas durante a manhã. Kássio Nunes Marques declarou-se impedido de participar da análise, enquanto Dias Toffoli se declarou suspeito.
Nunes Marques justificou o impedimento pelo possível impacto eleitoral do julgamento sobre a eleição presidencial de outubro, uma vez que atualmente preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Com a retomada da sessão, os ministros devem analisar questões discutidas durante a manhã, entre elas a possibilidade de suspensão dos trabalhos e a eventual reunião dos julgamentos relacionados ao Banco Master para o próximo dia 23.
Relatório liga Moraes a Vorcaro
O julgamento ocorre após a divulgação de um relatório da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que apresenta supostas mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes.
A sessão está sendo transmitida ao vivo pela TV Justiça:
O documento veio a público em 1º de setembro, quando André Mendonça retirou o sigilo do relatório. A divulgação desencadeou uma crise dentro do Supremo, com pedidos de investigação e divulgação de documentos envolvendo integrantes da própria Corte.
O relatório apresenta 52 mensagens que, segundo os investigadores, teriam sido enviadas por Vorcaro a Moraes. O material aponta uma suposta relação de proximidade entre os dois.
Em um dos trechos, Vorcaro aparenta mencionar o envio para análise de Moraes de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outra passagem, o ex-banqueiro aparenta buscar informações com Moraes sobre uma operação que poderia resultar em sua prisão.
Segundo a PF, as mensagens foram enviadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que Vorcaro foi preso preventivamente.
Em defesa apresentada na madrugada desta terça-feira, Moraes negou qualquer irregularidade e classificou como inconstitucional e ilegal o relatório que contém as supostas mensagens.
*Com informações da Agência Brasil
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