de quase um pequeno bairro ao abandono e à demolição total em Cuiabá

Entre a Igreja do Rosário e São Benedito, o Morro da Luz e a Avenida Tenente-Coronel Duarte, a tradicional Prainha, a Ilha da Banana já foi ocupada por casas simples, vizinhos e pelo movimento cotidiano de uma Cuiabá que ainda crescia entre ruas de terra e telhados coloniais.

Décadas depois, o lugar que chegou a formar quase um pequeno bairro no coração da capital atravessou desapropriações para a instalação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), abandono e ocupação por pessoas em situação de rua. Agora, as últimas estruturas que haviam sobrado são demolidas.

Restos das construções da Ilha da Banana começaram a ser demolidos. – Foto: Reprodução/Jolismar Bruno/Primeira Página

A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) contratou a empresa Habit Construções e Serviços Eireli e estabeleceu o prazo de 60 dias para a conclusão das demolições. O Estado não informou qual será a destinação futura da área.

Área fazia parte do projeto original do BRT

Segundo a Sinfra, o Largo do Rosário, onde fica a chamada Ilha da Banana, estava previsto no projeto original do BRT (Bus Rapid Transit) de Cuiabá, dentro do primeiro contrato firmado com o Consórcio Construtor BRT.

Esse contrato, no entanto, foi rescindido. Quando o Estado realizou uma nova licitação para a continuidade das obras, a intervenção no Largo do Rosário não foi incluída no contrato atual, firmado com o Consórcio Integra BRT.

Por isso, conforme a Sinfra, foi decidido que os serviços na área seriam executados separadamente das obras previstas no atual contrato do BRT.

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Governo de Mato Grosso contratou empresa para fazer limpeza na Ilha da Banana. – Foto: Jolismar Bruno/Primeira Página

Área acumulou toneladas de lixo

A nova intervenção ocorre menos de um ano depois de a Prefeitura de Cuiabá realizar uma operação emergencial no local.

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Nova intervenção prevê limpeza da Ilha da Banana, área que já acumulou toneladas de lixo no Centro de Cuiabá. – Foto: Francinei Marans/Prefeitura de Cuiabá

Em outubro de 2025, a Limpurb informou ter retirado aproximadamente 20 toneladas de materiais descartados irregularmente da Ilha da Banana. A expectativa era alcançar cerca de 30 toneladas até o fim da operação. Entre os resíduos havia entulho, vegetação, pneus, plásticos e outros objetos.

Na ocasião, a prefeitura afirmou que o terreno pertence ao Estado e informou ter cobrado esclarecimentos sobre o processo de manutenção da área.

Demolição se arrasta há quase uma década

A história da demolição da Ilha da Banana começou anos antes. Em 2017, documentos oficiais da Prefeitura de Cuiabá apontavam que o local reunia um complexo de 15 imóveis distribuídos em aproximadamente 5,9 mil metros quadrados. As propriedades estavam em processo de desapropriação relacionado às obras de mobilidade urbana previstas para a região.

A demolição começou naquele mesmo ano, sob responsabilidade do Estado. A prefeitura chegou a mobilizar equipes de assistência social para acompanhar pessoas em situação de rua que ocupavam a área.

Em 2020, a Sinfra voltou a elaborar orçamento para demolição e manutenção do Largo do Rosário, conhecido como Ilha da Banana. A planilha previa serviços preliminares, limpeza, retiradas e novas demolições.

Mesmo assim, os problemas continuaram e, em março deste ano, a situação da Ilha da Banana voltou a ser alvo de cobrança na Câmara de Cuiabá, com requerimento solicitando informações sobre o imóvel e as providências previstas para a área.

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