Mensagens obtidas pelo MT1 mostram como uma ex-funcionária de uma clínica odontológica de Cuiabá abordava pacientes e insistia para evitar o cancelamento de tratamentos. A mulher é investigada pela Polícia Civil por suspeita de desviar cerca de R$ 100 mil da empresa.
De acordo com a investigação, ao menos 15 possíveis vítimas já foram identificadas. Três mandados de busca e apreensão foram cumpridos na quinta-feira (20), durante uma operação. Ninguém foi preso.
A suspeita trabalhava nos setores administrativo e financeiro da clínica, localizada no bairro Campo Velho. Por causa da função, ela tinha acesso ao sistema de gestão, aos dados dos pacientes, aos contratos, às parcelas e aos registros de pagamentos.
Mensagens mostram insistência
Em uma das conversas, uma paciente tenta cancelar o tratamento e manter apenas os procedimentos cobertos pelo plano de saúde. A ex-funcionária, porém, apresenta diferentes propostas para evitar o cancelamento.
Em determinado momento, ela oferece uma prótese dentária por R$ 750. Quando a paciente demonstra surpresa com o preço, a atendente afirma ter digitado o valor errado e informa que o procedimento custaria R$ 850.

Em outra troca de mensagens, a paciente volta a dizer que precisava cancelar o tratamento. A investigada então propõe o pagamento de uma entrada de R$ 300 e oferece a possibilidade de quitar o restante apenas em maio.
A paciente recusa a proposta e explica que contava com um valor do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), mas não conseguiu fazer o saque.
Segundo a Polícia Civil, essas conversas fazem parte do material analisado para esclarecer como os pagamentos eram negociados e identificar outros pacientes que possam ter sido prejudicados.
Pix para conta pessoal levantou suspeita
O suposto esquema foi descoberto depois que uma paciente procurou os proprietários da clínica e informou que havia feito uma transferência via Pix diretamente para a conta pessoal da então funcionária.

A partir do alerta, os responsáveis pelo estabelecimento verificaram os registros financeiros e comunicaram o caso às autoridades. A suspeita é de que pagamentos relacionados aos tratamentos tenham sido direcionados para contas que não pertenciam à clínica.
Os materiais recolhidos durante os três mandados de busca e apreensão serão periciados e devem ajudar a Polícia Civil a rastrear os valores e verificar se existem outras vítimas.
A ex-funcionária foi identificada como Arielly Katerine dos Santos, de 31 anos. Conforme a investigação, ela poderá responder por furto qualificado mediante fraude, furto qualificado por abuso de confiança e estelionato. Outros crimes ainda podem ser identificados no decorrer do inquérito.Arielly Katerine dos Santos
As investigações continuam e, até o momento, ninguém foi preso. Arielly não constituiu advogado particular até o momento. O espaço permanece aberto para manifestação da investigada.
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