O ex-secretário-chefe da Casa Civil de Mato Grosso e deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) desistiu de disputar o cargo de vice-governador nas eleições de outubro. Indicado pelo ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), Garcia integrava a chapa encabeçada por Otaviano Pivetta (Republicanos), mas deixou a disputa após ser alvo da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal na semana passada.
Durante coletiva no Palácio Paiaguás, nesta terça-feira (11), Fábio Garcia afirmou que a desistência da candidatura a vice-governador ocorreu após um pedido dos presidentes dos partidos que integram a coligação. Segundo ele, a decisão foi motivada pela determinação do ministro Flávio Dino, que o impede de manter contato com Mauro Mendes, o que dificultaria a condução da campanha.
“Não podemos estar no mesmo local. Isso impõe a todos nós uma dificuldade de tocar a campanha. Eu recebi, portanto, o pedido dos presidentes dos partidos da nossa coligação para que reavaliasse a candidatura a vice-governador e voltasse à candidatura a deputado federal. Entendendo que precisamos tocar o projeto para frente, vou voltar a ser candidato a deputado federal. Essa é a definição”, afirmou Garcia.
Com a saída de Garcia, três nomes passaram a ser cotados para ocupar a vaga de vice na chapa de Pivetta: a deputada federal Gisela Simona (União Brasil), a primeira-dama de Rondonópolis, Alessandra Ferreira (Podemos), e o ex-secretário de Estado de Fazenda, Rogério Gallo.
Segundo o presidente do Partido Republicanos em Mato Grosso, Eduardo Mancioli, um novo nome que vai substituir Fábio Garcia ainda deve ser anunciado nesta terça-feira (11).
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Alvo da operação
Segundo consta na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a operação da Polícia Federal, o inquérito policial visava apuração de supostas condutas delituosas atribuídas a Mauro Mendes Ferreira, à época governador de Mato Grosso.
Conforme o documento assinado pelo ministro Flávio Dino, foram verificados elementos que indicam possível atuação de grupo organizado para a prática de crimes contra o sistema financeiro nacional, peculato e lavagem de capitais com participação do deputado federal Fábio Garcia e do Conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ulisses Rabaneda.

Em 10 de abril de 2024, o Governo de Mato Grosso e a Oi S.A., na época representada pela sociedade Ricardo Almeida Advogados Associados, firmaram um acordo para encerrar disputa judicial sobre uma cobrança. No termo, o Estado reconheceu que a cobrança era inconstitucional e se comprometeu a devolver à empresa R$ 308.123.595,50, valor que havia sido levantado em juízo.
Pelo acordo, o Estado se comprometeu a pagar diretamente ao escritório Ricardo Almeida Advogados Associados, sem seguir o regime de precatórios. Segundo a PF, o termo não foi publicado em Diário Oficial, conforme determina a lei.
Segundo a Polícia Federal, o acordo foi assinado pelo então procurador-geral do Estado, Francisco de Assis da Silva Lopes, pelos representantes do escritório Ricardo Almeida Advogados Associados, incluindo ele próprio, e ainda, Ulisses Rabaneda, na época advogado.
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