Anvisa desmente uso de testosterona como solução milagrosa para mulheres

A ideia de que toda mulher precisa repor testosterona para ter mais energia, ganhar massa muscular, melhorar a libido ou retardar o envelhecimento tem se espalhado nas redes sociais. No entanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que essa afirmação é falsa.

Anvisa faz alerta sobre testosterona em mulheres e derruba mito das redes sociais. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A reposição hormonal não é necessária para todos e deve ser indicada apenas em situações específicas, após avaliação médica. A decisão leva em conta sintomas, histórico de saúde, exames laboratoriais e critérios clínicos.

De acordo com sociedades médicas, a única indicação cientificamente reconhecida para o uso terapêutico da testosterona em mulheres é o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH) em pacientes na pós-menopausa.

Mesmo nesses casos, o tratamento só deve ser considerado após a avaliação de outras possíveis causas e quando os sintomas persistem.

Entidades médicas alertam para o uso indiscriminado

Uma nota conjunta publicada em maio de 2025 pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e pelo Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reforça os riscos do uso indiscriminado da testosterona.

Segundo o documento, não há evidências científicas que sustentem a dosagem rotineira do hormônio ou diagnósticos baseados em suposto “déficit androgênico” como justificativa para prescrever testosterona a mulheres saudáveis. As entidades alertam que essa prática pode levar à utilização inadequada do hormônio.

Anvisa rebate mito sobre testosterona e alerta para riscos da reposição sem indicação médica. (Foto: Gov.br)
Anvisa rebate mito sobre testosterona e alerta para riscos da reposição sem indicação médica. (Foto: Gov.br)

Quais são os riscos?

O uso de testosterona sem necessidade comprovada, em doses inadequadas ou associado a outras substâncias pode provocar efeitos adversos e aumentar os riscos à saúde. Por isso, promessas de rejuvenescimento, emagrecimento ou melhora do desempenho físico devem ser analisadas com cautela.

Entre os possíveis efeitos colaterais estão:

  • Acne;
  • Alopecia (queda significativa de cabelo);
  • Alterações hepáticas;
  • Dislipidemia, que altera os níveis de gordura no sangue e pode favorecer o acúmulo de placas nas artérias;
  • Dependência psicológica;
  • Problemas cardiovasculares.

A Anvisa orienta que qualquer evento adverso relacionado ao uso de medicamentos seja notificado aos canais oficiais de vigilância sanitária. Acesse aqui.

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