Enquanto muita gente associa insetos a pragas ou incômodos, milhões deles estão trabalhando nos bastidores para proteger florestas plantadas em Mato Grosso do Sul. Joaninhas e vespas minúsculas, quase invisíveis a olho nu, fazem parte de um verdadeiro exército natural usado para combater insetos que podem causar prejuízos às plantações.
Somente em 2025, mais de 153,8 milhões de insetos benéficos foram liberados em áreas de cultivo de eucalipto no estado. Segundo a Suzano, a estratégia permitiu proteger cerca de 177,2 mil hectares, área equivalente a milhares de campos de futebol, reduzindo a necessidade de aplicações de produtos químicos.
Joaninhas caçam pragas e vespas impedem reprodução
Conhecidas pelo visual chamativo, as joaninhas têm uma função importante na natureza. Elas se alimentam dos ovos psilídeo-de-concha, que atacam o eucalipto, ajudando a manter as populações dessas pragas sob controle.
Já as microvespas desempenham uma missão ainda mais curiosa. Elas depositam seus ovos em fases específicas do ciclo de vida de insetos considerados prejudiciais às florestas. Com isso, impedem que as pragas completem o desenvolvimento e se multipliquem.

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Na prática, esses insetos funcionam como agentes naturais de controle biológico, reduzindo a necessidade de intervenções químicas e ajudando a manter o equilíbrio do ecossistema.
Menos defensivos e menos água
Os resultados mostram o impacto dessa estratégia. Segundo dados do programa de controle biológico, em 92,5% das áreas que receberam os aliados não houve necessidade de ações complementares de controle.
A iniciativa também contribuiu para uma redução de 59% no uso de defensivos pulverizados e de 48% no consumo de água utilizado nessas operações.
Um “berçário” de insetos
Antes de serem soltos no campo, os insetos passam por um processo de criação e reprodução em laboratórios especializados instalados em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo. As unidades produzem diferentes espécies de biocontroladores, cada uma destinada ao combate de uma praga específica.
Entre elas estão as joaninhas, parasitoides de lagartas desfolhadoras, parasitoides da vespa-da-galha e parasitoide de ovos do percevejo bronzeado.

O monitoramento permanente das florestas define onde e quando esses insetos devem ser liberados para garantir maior eficiência no controle das pragas.
Além de proteger as áreas cultivadas, especialistas apontam que o controle biológico pode contribuir para o equilíbrio ecológico das áreas vizinhas, reduzindo a pressão de pragas e diminuindo a dependência de produtos químicos na paisagem ao redor.