O sono é um dos pilares da saúde mental. Em épocas passadas, entendia-se que o sono era um período misterioso da vida, tempo em que cerca de um terço dos nossos dias escondia segredos, que se manifestavam enquanto dormíamos. Vinham através dos sonhos e então lhes dávamos inúmeros significados, algo que fazemos até os dias atuais. Paralelamente aos segredos, passamos a entender que o sono é necessário para o descanso do corpo exausto das atividades diárias, serve para repor as energias perdidas nas horas de trabalho.
Até tempos não muito distantes, pensava-se que a lógica era simples: despertar, trabalhar, descansar por meio do sono noturno e estar pronto ao exercício de mais uma jornada de trabalho a partir do amanhecer. Com a evolução do conhecimento, aprendemos que muitas pessoas dormem aparentemente bem, mas, apesar disso, acordam cansadas e permanecem cansadas no período diurno.
Descobrimos precisarmos de cerca de oito horas de sono por noite para vencermos o cansaço. Foi, então, que surgiu um problema novo, visto que inúmeras pessoas dormiam o tempo certo ou recomendado e, ainda assim, o cansaço lhe tomava conta do corpo no dia seguinte.
O conhecimento científico não parou aí e logo nos mostrou ser certo, precisamos de sete a nove horas de sono por noite, mas que só isso não é capaz de nos repor a energia gasta no cotidiano, há necessidade de que o sono seja reparador, ou seja, além da quantidade, há de ter boa qualidade. E quando se fala em qualidade, fala-se de arquitetura do sono, a composição do sono em suas diversas fases distribuídas ao longo da noite, desde o sono leve até o sono mais profundo, além do sono dos sonhos.
A natureza é perfeita, a arquitetura do sono é perfeita e hoje se sabe que a distribuição ideal dos períodos do sono é aquela que acontece na maioria das pessoas e que promove um sono reparador. Entre idas e vindas durante a noite, nosso sono deve ocupar dez por cento da noite no sono leve, cinquenta por cento do sono na fase intermediária, vinte por cento no sono profundo e vinte por cento no sono dos sonhos.
O estudo da arquitetura do sono é a observação do trabalho hormonal em cada uma das fases hípnicas, com o propósito de ver a importância de todas elas. Quando extrapolamos o tempo em determinada fase, certamente subtraímos o tempo de outra, logo algum prejuízo acontece. O mais comum é a diminuição do sono profundo, com consequente cansaço no dia seguinte.
Doenças físicas, como insuficiência respiratória, dor crônica e outras, podem causar perda de quantidade e qualidade; o uso de determinados medicamentos também pode ser o responsável pela alteração das fases do sono; mas são os sofrimentos mentais os maiores responsáveis.
A ansiedade, a depressão e outras enfermidades da mente prejudicam muito nosso sono. O cansaço é grande e parece não ter fim. Férias, feriados, finais de semana prolongados, nada alivia a falta de ânimo, nem mesmo oito ou mais horas de sono noturno, nem café amargo, absolutamente nada. O problema não é físico, é um esgotamento mental profundo.
O sono é, na verdade, mais do que um dos pilares da saúde mental, é também um termômetro, o prenúncio de que algo não vai bem e que deve ser tratado com brevidade. Independente da causa, é importante que saibamos que não basta apenas um colchão macio para melhorar o sono, nem mesmo um travesseiro anatômico de última geração, precisamos atentar para a causa do sono de quantidade insuficiente ou de má qualidade.
Se o problema for físico, um especialista da área afetada deve ser procurado; se for na esfera mental, há necessidade de apoio psicológico e de tratamento psiquiátrico. As doenças mentais são tratáveis e, ao tratá-las, há, geralmente, regularização do sono noturno, melhora da sonolência diurna e desaparecimento do cansaço.