Empresário suspeito de estuprar e filmar crianças em Sorriso tem fiança arbitrada por armas, mas continua preso

O empresário do ramo de combustíveis Fábio Serafim de Oliveira, de 42 anos, teve a liberdade provisória concedida pela Justiça no processo em que foi preso em flagrante por posse irregular de armas de fogo. Apesar da decisão, ele não deixará a prisão, pois continua detido por força da investigação que apura os crimes de estupro de vulnerável, produção, divulgação e armazenamento de material de exploração sexual infantojuvenil.

Fábio Serafim tem fiança arbitrada por posse de armas, mas permanece preso por investigação de estupro de vulnerável e exploração sexual infantil. – Foto: Reprodução

A decisão foi assinada nesta quinta-feira (16) pela juíza Laura Dorilêo Cândido, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias, polo de Sinop (MT). A magistrada arbitrou fiança e expediu alvará de soltura referente apenas ao flagrante por posse irregular de armas de fogo, delito constatado durante o cumprimento dos mandados da Operação Puer Defensus, deflagrada na quarta-feira (15), em Sorriso.

No entanto, o empresário permanece preso porque também é alvo do inquérito conduzido pela Polícia Civil, que investiga uma rede de exploração sexual de crianças.

Investigação começou após denúncia

Segundo a Polícia Civil, as investigações começaram após uma parente de uma das crianças perceber que a vítima reproduzia um ato sexual com outra criança, acreditando que aquele comportamento era normal.

Ao ser questionada, a criança relatou que havia aprendido o ato na presença da babá e de um homem. A denúncia foi encaminhada à Delegacia de Sorriso, que iniciou a investigação.

Tafnes Cavalheiro de Souza, de 19 anos, confessou participação nos crimes.
Tafnes Cavalheiro de Souza, de 19 anos, confessou participação nos crimes.- Foto: Reprodução

A principal investigada é a cuidadora de crianças Tafnes Cavalheiro de Souza, de 19 anos, presa desde junho. Conforme a Polícia Civil, ela confessou participação nos crimes e, a partir do depoimento e da extração de dados do celular da jovem, os investigadores identificaram o empresário como suspeito.

Os dois teriam se conhecido quando Tafnes trabalhou para Fábio. Posteriormente, mantiveram contato e a jovem passou a vender fotos e vídeos de si mesma ao empresário por cerca de R$ 150. Com o tempo, segundo a investigação, ele teria começado a solicitar também imagens de crianças que estavam sob os cuidados dela.

Vítimas

De acordo com a Polícia Civil, pelo menos quatro crianças teriam sido vítimas dos investigados. Entre elas está o filho da babá, de 1 ano e 8 meses, além de outras crianças, com idades entre 4 e 8 anos, que ficavam sob os cuidados da jovem, sendo duas parentes e duas filhas de amigas. Os supostos abusos teriam ocorrido entre agosto de 2025 e março de 2026.

Ainda conforme a investigação, o empresário oferecia balas e moedas às crianças para atraí-las. A Polícia Civil também afirma que a babá participava diretamente dos abusos.

Armas e equipamentos foram apreendidos

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os policiais localizaram diversas armas de fogo e munições na residência do empresário. Também foram apreendidos celulares, computadores, mídias de armazenamento, chip do sistema de câmeras de segurança, fitas VHS e outros objetos que passarão por perícia.

Materiais apreendidos durante o cumprimento das ordens judiciais. - Foto: Polícia Civil
Materiais apreendidos durante o cumprimento das ordens judiciais. – Foto: Polícia Civil

Foi a apreensão das armas que resultou na prisão em flagrante por posse irregular de arma de fogo. Embora a Justiça tenha concedido liberdade provisória nesse procedimento, a medida não altera a prisão do empresário pela investigação dos crimes contra crianças.

Segundo a Polícia Civil, os investigados apagaram conversas e arquivos dos celulares. Parte do material já foi recuperada no aparelho da babá, enquanto os equipamentos apreendidos com o empresário ainda serão submetidos à extração de dados.

Os investigadores apontam que os suspeitos poderão responder por diversos crimes, entre eles estupro de vulnerável, produção, armazenamento e divulgação de pornografia infantil, favorecimento à prostituição, corrupção de menores e outros delitos relacionados à exploração sexual de crianças.

A esposa do empresário também foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação, mas não foi presa.

O Primeira Página tenta contato com as defesas de Fábio Serafim de Oliveira e Tafnes Cavalheiro de Souza. O espaço permanece aberto para manifestação.

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