Plano de saúde e acesso à internet são benefícios menos oferecidos no agro de MT; veja lista

Plano de saúde e acesso à internet ainda estão entre os benefícios menos oferecidos aos trabalhadores do agronegócio em Mato Grosso. O dado é da pesquisa do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que revela que alimentação e moradia continuam sendo os principais atrativos oferecidos pelas propriedades rurais aos trabalhadores.

Conectividade no campo ainda se concentra na sede das fazendas e aparece como um dos benefícios menos frequentes nas fazendas de acordo com a pesquisa. – Foto: Reprodução

O levantamento, realizado com apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), ouviu 415 produtores rurais de 87 municípios mato-grossenses entre março e abril de 2026. Os dados mostram que os benefícios oferecidos refletem principalmente as necessidades de quem vive e trabalha em propriedades afastadas dos centros urbanos.

Segundo o estudo, 85,19% das propriedades fornecem alimentação aos colaboradores fixos e 84,95% oferecem moradia ou alojamento. Em seguida aparecem transporte (29,37%), treinamentos e capacitações (20,15%) e vale-alimentação ou vale-refeição (14,81%).

Distribuição dos tipos de benefícios oferecidos aos colaboradores fixos (%)*

Alimentação fornecida
pela fazenda
85,19%

Moradia ou
alojamento
84,95%

Vale-alimentação/
Vale-refeição
14,81%

Internet 7,52% Menos frequente

Cesta básica 6,07% Menos frequente

Conta de água 5,83% Menos frequente

Conta de energia 5,83% Menos frequente

Seguro de vida 5,10% Menos frequente

Outros** 8,01% Menos frequente

*Nota: a somatória ultrapassa 100%, pois havia a possibilidade de os respondentes selecionarem mais de uma opção. **Auxílio aluguel, Lavanderia, Espaços para lazer etc. Fonte: Mão de Obra na Agricultura de Mato Grosso. Imea, 2026.

O levantamento aponta ainda para uma baixa oferta de acesso à internet como benefício aos trabalhadores, presente em apenas 7,52% das propriedades, apesar de a conectividade já estar praticamente em todas as fazendas participantes da pesquisa. Entre 2023 e 2026, o percentual de internet em toda a área mais que dobrou, passando de 9,97% para 20,45%.

Os dados indicam que a infraestrutura digital segue avançando no campo, mas esse movimento ainda não se traduz na ampliação da internet como benefício oferecido aos colaboradores. O levantamento mostra que 98,53% das propriedades possuem acesso à internet, mas em 64,84% delas a cobertura está restrita apenas à sede.

98,53% das propriedades possuem
acesso à internet

1,47% das propriedades não possuem
acesso à internet

Distribuição da cobertura de internet nas propriedades rurais

Mais da metade da área 4,74%

*Nota: a somatória ultrapassa 100%, pois havia a possibilidade de os respondentes selecionarem mais de uma opção. **Auxílio aluguel, Lavanderia, Espaços para lazer etc. Fonte: Mão de Obra na Agricultura de Mato Grosso. Imea, 2026.

Maioria aposta em bonificações

Além dos benefícios permanentes, a pesquisa identificou que 85,92% dos produtores oferecem algum tipo de bonificação aos funcionários fixos.

O bônus por produtividade lidera com ampla vantagem, sendo adotado por 58,64% das propriedades que concedem incentivos. Também aparecem bônus por desempenho (22,10%), participação nos resultados (PPR/PLR) (20,96%) e pagamentos vinculados à produção (16,71%).

Apenas 14,08% afirmaram não conceder qualquer bonificação aos colaboradores fixos.

Benefícios convivem com cenário de escassez de mão de obra

A baixa oferta de alguns benefícios ocorre justamente em um momento em que os produtores afirmam enfrentar dificuldade para contratar. A pesquisa mostra que 62,62% classificam como alta a dificuldade para contratar novos funcionários, enquanto 30,34% consideram a dificuldade média. Apenas 7,04% afirmam enfrentar pouca dificuldade para preencher vagas.

Entre aqueles que precisam contratar, a maior demanda está concentrada em operadores de máquinas (63,77%), seguida por profissionais de serviços gerais (38,65%) e técnicos agrícolas ou agrônomos (14,25%).

O principal obstáculo apontado pelos produtores continua sendo a falta de qualificação técnica da mão de obra, citada por 69,16% dos entrevistados. Também aparecem como problemas a incompatibilidade entre o perfil dos candidatos e as exigências das funções (23,37%) e a dificuldade de manter os trabalhadores nas propriedades (17,83%).

Mesmo diante desse quadro, 76,39% dos produtores afirmam que não pretendem ampliar o quadro de funcionários nas próximas três safras, principalmente porque consideram o tamanho atual das equipes suficiente ou optaram por aumentar a eficiência operacional com mecanização e novas tecnologias.

Clique aqui e veja a pesquisa completa.

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