Você conhece o Selo Arte? A certificação pode levar seus produtos artesanais para todo o Brasil

Produtos como queijos, embutidos, doces de leite, mel e derivados produzidos artesanalmente em Mato Grosso do Sul têm ganhado espaço dentro e fora do Estado graças ao Selo Arte. O tema foi destaque no podcast Agro de Primeira, apresentado por Edevaldo Nascimento e Tati Scaff, que recebeu o médico-veterinário e fiscal estadual agropecuário da Iagro, Wilson de Morais Rodrigues Júnior, coordenador do Núcleo Artesanal do Dipoa/Iagro.

Durante a entrevista, o especialista explicou como funciona a certificação, quem pode solicitar o selo e os benefícios para produtores que desejam ampliar a comercialização de alimentos de origem animal produzidos de forma artesanal.

Selo Arte atesta a produção artesanal de produtos de origem animal. (Foto: Mapa)

Segundo Wilson, o Selo Arte surgiu para valorizar produtos que possuem características únicas, ligadas à tradição, à cultura regional e a processos produtivos diferenciados.

“O Selo Arte é uma alternativa muito boa porque vai fazer com que seu produto, que está aqui no município, seja conhecido nacionalmente, com qualidade, agregação de valor e características organolépticas únicas”, afirmou.

Para obter a certificação, o produtor precisa estar regularizado junto ao serviço oficial de inspeção ao qual está vinculado. Entre os requisitos básicos estão o cadastro no Sistema de Gestão dos Serviços de Inspeção (SGSI) e o registro do estabelecimento e do produto no Sistema de Gestão de Estabelecimentos (SGE).

Somente após atender essas exigências o produtor pode dar entrada no pedido do Selo Arte junto à Iagro. Confira mais informações sobre o Selo Arte aqui.

Certificação valoriza tradição e identidade dos produtos

Um dos pontos centrais da conversa foi a diferença entre o Selo Arte e outros sistemas de inspeção já existentes, como SIM, SIE, SIF e Sisbi. Wilson explicou que, enquanto muitos desses modelos certificam o estabelecimento, o Selo Arte é concedido diretamente ao produto, desde que ele apresente características artesanais e esteja vinculado a um serviço oficial de inspeção sanitária.

Agroindústrias conquistam Selo Arte e ampliam valorização de produtos artesanais. (Foto: Senar/MS)
Agroindústrias conquistam Selo Arte e ampliam valorização de produtos artesanais. (Foto: Senar/MS)

Para obter a certificação, o produtor precisa estar regularizado, cumprir normas sanitárias e demonstrar aspectos de artesanalidade, como produção em pequena escala, uso reduzido de processos industriais, receitas tradicionais ou vínculo cultural com determinada região.

A avaliação é realizada pela Iagro por meio de visitas técnicas nas propriedades e agroindústrias, onde são verificadas as boas práticas de fabricação, a origem da matéria-prima e a singularidade do produto.

“O que a gente observa muito é essa questão da tradição cultural da região. Tem produtos que carregam memória afetiva, qualidade e uma identidade própria. É isso que o Selo Arte busca valorizar”, destacou.

Doce de Bonito (MS) com Selo Arte
Agroindústria de Bonito conquista cinco selos e ganha escala. (Foto: Reprodução)
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Atualmente, Mato Grosso do Sul possui 33 produtos certificados, incluindo itens reconhecidos como o Queijo Nicola, linguiças artesanais de Maracaju, doces de leite e produtos de charcutaria que têm conquistado nichos de mercado em outras regiões do país.

Oportunidade para pequenos produtores crescerem

Durante o bate-papo, Wilson ressaltou que a certificação tem sido uma ferramenta importante para agricultores familiares e agroindústrias de pequeno porte que buscam agregar valor à produção sem enfrentar processos tão complexos quanto outros modelos de habilitação nacional.

“Eu vejo o Selo Arte como uma alternativa muito boa para o pequeno produtor, porque vai fazer com que o produto dele, que está no município, seja conhecido nacionalmente, com qualidade, agregação de valor e características únicas”, afirmou.

Segundo ele, o selo também contribui para fortalecer o turismo rural, a economia criativa e a preservação de tradições gastronômicas locais.

Salame pantaneiro de guavira da Nostra Charcutaria tem o Selo Arte
Salame pantaneiro de guavira da Nostra Charcuterie é um doas produtos com Selo Arte. (Foto: Reprodução)
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Produtos de origem apícola, como mel e derivados, também aparecem entre os segmentos com potencial de crescimento. A Iagro observa ainda oportunidades em áreas como charcutaria artesanal, manteigas especiais, queijos maturados e produtos ligados à identidade regional sul-mato-grossense.

Wilson destaca que o principal desafio ainda está na falta de informação e de assistência técnica para muitos produtores, que acabam desconhecendo as possibilidades oferecidas pelo programa.

“Eles carecem muito dessa assistência técnica, porque ficam com medo e pensam que é algo muito difícil. Na verdade, muitas vezes é falta de conhecimento sobre os requisitos e sobre as oportunidades que o Selo Arte pode proporcionar”, destacou o coordenador.

Selo Arte ajuda produtores de queijo, mel, embutidos e outros alimentos de origem animal a conquistar novos mercados. (Foto: Thauana Luares)
Selo Arte ajuda produtores de queijo, mel, embutidos e outros alimentos de origem animal a conquistar novos mercados. (Foto: Thauana Luares)

Apesar disso, a procura pela certificação tem aumentado nos últimos anos. De acordo com Wilson, novos processos estão em andamento e a expectativa é ampliar o número de produtos certificados no estado, fortalecendo a presença de alimentos artesanais sul-mato-grossenses em mercados de todo o Brasil.

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