Foragido por esquema de R$ 27 milhões se entrega à polícia em Campo Grande

Giovanni Paraschi Jafar, que estava foragido desde que se tornou um dos alvos da Operação Gutenberg, se entregou na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac Cepol), em Campo Grande, na tarde desta terça-feira (14).

Dinheiro apreendido durante a operação. (Foto: MPMS)

Foragido

Jafar chegou à unidade acompanhado de sua advogada para cumprir o mandado de prisão expedido no âmbito da força-tarefa. A defesa também entregou à equipe policial uma receita médica e os medicamentos utilizados pelo empresário, apurou a reportagem.

Giovanni Paroschi Jafar é filho de Rossana Paroschi Jafar e de Mirched Jafar Junior, falecido em 14 de abril de 2021, sócios-administradores da Gráfica e Editora Alvorada Ltda. (Editora Alvorada), empresa já investigada anteriormente na Operação Lama Asfáltica.

Rossana e os outros dois filhos dela, a médica Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar também foram presos.

Com a prisão de Paraschi, o único investigado que ainda permanece foragido por envolvimento no esquema apurado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) é Heyder Bartz. Ao todo, 15 pessoas foram presas como resultado da operação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrada no último dia 7 de julho.

Segundo os investigadores, o grupo é suspeito de fraudar contratos públicos para a compra de livros e movimentar mais de R$ 27 milhões em recursos públicos. Entre os investigados presos estão um ex-prefeito, uma médica, advogados, empresários, servidores públicos e familiares.

A família Jafar

A família Jafar é apontada pelo MPMS como a mentora do esquema. Segundo a investigação, Giovanni mantinha um relacionamento com Rhayane de Souza Fanaia, também presa e que figura como proprietária da Editora Avante, que seria utilizada pela família Jafar para obter contratos públicos milionários de forma irregular.

Para os investigadores, através da Avante, a família mirava contratos com outros municípios do Estado através da oferta de livros didáticos que sequer eram exclusivos da empresa. Segundo o MPMS, o esquema estaria em funcionamento desde 2021.

Para o MPMS, “as contratações eram fundadas na dispensa de licitação, sob o argumento de que a empresa seria detentora exclusiva da edição e publicação do material fornecido. Contudo, ao se analisarem os principais produtos entregues aos entes contratantes — os livros O Mundo Azul de Theo e O Fantástico Mundo do Capitão Theo — verifica-se que são obras da Editora Galeria das Letras, que, à época, eram disponibilizadas à venda para qualquer distribuidor em seu próprio site”.

O dinheiro adquirido de forma ilícita, conforme a investigação, era distribuído entre integrantes da organização, servidores envolvidos e pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem dos valores.

As investigações também apontam que servidores da área da saúde teriam condicionado a autorização de exames, cirurgias e vagas em hospitais da rede estadual à compra de livros comercializados pelo grupo.

A operação foi realizada em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO), com apoio do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

O nome da operação, “Gutenberg”, faz referência a Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros. Conforme o MPMS, a escolha faz alusão ao uso dos livros como instrumento para conferir aparência de legalidade ao esquema investigado.

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