relembre a trajetória de Alcides Bernal

O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, morreu na madrugada desta segunda-feira (13), após voltar a ser internado na Santa Casa. Sua trajetória foi marcada por uma ascensão política até sua chegada à Prefeitura Municipal, sendo o 62° prefeito da Capital e ser o 1° a ter mandato cassado. Relembre a trajetória de Bernal até o crime de homicídio.

Alcides Bernal na cabina de votação em 2012, onde concorreu e venceu para prefeito | (Foto: Arquivo/Hélder Rafael/g1 MS)

Quem foi Alcides Bernal?

Alcides Jesus Peralta Bernal nasceu em 14 de Julho de 1965 em Corumbá. Advogado e radialista. Formado em Direito pela antiga Fucmat (Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso), consta no currículo que trabalhou na assistência judiciária, principalmente na área criminal.

Os 20 anos de trabalho como radialista fizeram Bernal ganhar forte apelo popular. De segunda a sábado, por 10 anos, apresentou um programa matinal com músicas sertanejas e premiações em uma emissora campo-grandense.

Aos domingos, o formato era repetido em outro programa que tinha o nome dele. Entre agosto de 2009 e julho de 2010, comandou também um programa de televisão local.

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Fenômeno político

Em 2004, foi eleito vereador pelo PMN (Partido da Mobilização Nacional), atualmente conhecido como Mobiliza, sendo o 16° candidato mais votado na Capital com 4.772 votos. Na Casa de Leis, presidiu a Comissão Permanente de Transporte e Trânsito.

Em 2008, foi reeleito pelo PP (Progressista), desta vez como o vereador mais votado das eleições, com 12.294 votos. Na Câmara Municipal, ele passou a comandar a Comissão Permanente de Defesa do Consumidor.

Já em 2010, Bernal decidiu concorrer ao Legislativo Estadual e foi eleito deputado. Como 13° candidato mais votado em Mato Grosso do Sul, com 26.159 votos, Bernal então passou integrar legislatura no Palácio Guaicurus.

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Ex- Prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP) | (Foto: Arquivo/ Tatiane Queiroz/ g1 MS)

A ascensão à Prefeitura Municipal

Dois anos depois Bernal concorreu às Eleições Municipais de 2012 como prefeito pelo PP. No primeiro turno, o radialista alcançou 40% dos votos válidos, indo ao segundo turno das eleições com 176.288 votos. Seu adversário, Edson Giroto, teve 122.813.

No segundo turno, a preferência da população proporcionou a ascensão política do então deputado estadual à prefeitura com votação avassaladora.

Bernal alcançou 62,55% dos votos válidos, com 270.927 confirmações nas urnas, enquanto Giroto, com 100 mil votos a menos, foi derrotado com 162.212 votos.

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Alcides Bernal fala a jornalistas na sede do TRE-MS ao vencer eleições em 2012 | (Foto: Reprodução/TV Morena)

Cassação

Dois anos após estar à frente da Prefeitura da Capital, Alcides Bernal enfrentou cassação em 2014.

Dos 29 vereadores, 23 votaram a favor da cassação por irregularidades em contratos emergenciais. Com a decisão, ele perdeu o mandato, e o vice-prefeito, Gilmar Olarte, assumiu a prefeitura.

A denúncia foi apresentada por dois empresários à Câmara Municipal em 30 de setembro de 2013. Eles apontaram contratações emergenciais sem justificativa. A denúncia foi aceita, e uma comissão processante foi criada para investigar o caso.

‘A Justiça pode tardar, mas não falha’

No processo, Bernal afirmou que não havia provas de irregularidades. Durante a votação, usou a tribuna para se defender e disse que agiu para proteger o interesse público.

Em 2015, voltou ao cargo por decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Por dois votos a um, os desembargadores determinaram o retorno em agosto daquele ano, um ano e cinco meses após a cassação. Ele permaneceu até o fim do mandato, em 2016.

Após a decisão, afirmou que “a Justiça pode tardar, mas não falha”, em entrevista à reportagem.

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Em 2016, o PP oficializou Alcides Bernal como candidato a prefeito da capital de MS | (Foto: Alysson Maruyama/TV Morena)

Volta ao cenário político

Na volta ao cenário político, em 2016, o Progressista confirmou o ex-prefeito como candidato.

“Uma gestão eficiente, que garanta dignidade à pessoa e que faça com que Campo Grande possa se recuperar dos problemas sérios causados nessa situação que lamentavelmente constrangeu muito a nossa cidade. Eu posso lhe dizer que a nossa prioridade continua sendo as pessoas que habitam a nosso município”, disse na ocasião do lançamento da candidatura.

O desempenho nas urnas, no entanto, não foi tão avassalador quanto sua ascensão. Ele ficou em terceiro lugar no primeiro turno, ficando de fora do 2° por 2.630 votos.

Crime de homicídio

Bernal estava preso no Presídio Militar desde o dia 24 de março, quando ele matou o servidor público Roberto Carlos Mazzini a tiros. Mazzini e um chaveiro estavam na residência, localizada na Rua Antônio Maria Coelho, quando foram surpreendidos por Bernal.

O imóvel que pertencia ao ex-prefeito e que havia sido levado a leilão, sendo posteriormente adquirido por Roberto Carlos Mazzini.

O ex-prefeito foi acusado de atingir o servidor com dois tiros e fugir sem prestar socorro. Horas depois, apresentou-se à polícia e, desde então, permaneceu preso no presídio militar de Campo Grande.

No dia 30 de junho, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o habeas corpus que pedia a liberdade do ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal. A negativa veio menos de uma semana após o TJMS determinar que o ex-prefeito iria a julgamento no Tribunal do Júri pelo crime.

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