Mercado de pizzarias se reinventa e vira mina de ouro para microempresas em Mato Grosso

O mercado da pizza em Mato Grosso está operando em temperatura máxima. Celebrado recentemente em 10 de julho, o Dia da Pizza jogou luz sobre um fenômeno econômico silencioso: o avanço das micro e pequenas empresas que transformaram o prato mais democrático do país em um modelo de negócio altamente rentável.

Um levantamento do Sebrae/MT revela que o Brasil já abriga mais de 63 mil pequenos negócios no setor, impulsionados por um salto de 9,5% na abertura de novas frentes de trabalho.

O país ostenta o título de segundo maior consumidor global de pizza — com uma média impressionante que ultrapassa cinco milhões de discos assados todos os dias.

Porém, para além do volume, o que chama a atenção em solo mato-grossense é a mudança radical no comportamento de quem senta à mesa ou pede pelo aplicativo.

A era da pizza barata e genérica está dando lugar à exigência por massas de fermentação natural, insumos selecionados e embalagens que garantam a crocância na entrega.

O segredo está na gestão e na experiência

Para Beatriz Jardim, que lidera a carteira estadual de Alimentos e Bebidas do Sebrae/MT, a competitividade do setor exige que o empresário deixe de ser apenas um bom pizzaiolo e passe a dominar as finanças e o marketing. Segundo a gestora, o sucesso na atualidade depende de um tripé claro: eficiência nos processos, fortalecimento da identidade da marca e foco na experiência do cliente.

“O consumidor mudou. Ele tem valorizado desde a presença de ingredientes típicos da nossa região até opções inclusivas, como cardápios vegetarianos e veganos, além de cobrar posturas sustentáveis, com foco na redução do desperdício de insumos”, avalia Beatriz.

No interior do estado, essa virada de chave já é realidade. Em Sinop, polo econômico do norte mato-grossense, empresários têm colhido os frutos dessa modernização. Cristian Verneke Andreolla, dono da Costaneiras Grill, aponta que o dinamismo do delivery redefiniu o padrão do jogo. “O cliente busca agilidade e praticidade, mas não abre mão da qualidade extrema. Quem não mantiver a padronização do produto perde espaço na hora”, decreta.

Da Baixada Cuiabana ao Norte: A rota da profissionalização

Outro exemplo de que o setor saiu da informalidade vem da Pré-Diletta Restaurante e Pizzaria, também localizada em Sinop. O proprietário, Ademir Bonatto, foi um dos empreendedores que cruzaram as fronteiras do estado em busca de inovação, integrando uma comitiva técnica do Sebrae rumo à Fispal Food Service, em São Paulo, maior vitrine de alimentação da América do Sul. Para ele, o cenário econômico atual impõe desafios, mas o mercado local está maduro e receptivo para quem investe em tecnologia de ponta.

Para amparar essa engrenagem que não para de crescer, a estratégia das entidades de apoio técnico em Mato Grosso tem sido focar no aperfeiçoamento gerencial. A meta é transformar pizzarias de bairro em empresas sustentáveis a longo prazo, capazes de absorver as flutuações de preços dos insumos sem perder a clientela e, acima de tudo, transformando a criatividade regional em diferencial competitivo.

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