Motociclistas e jovens lideram mortes no trânsito em Cuiabá

As ruas de Cuiabá continuam cobrando um preço alto e violento, impulsionadas pela combinação de velocidade, falta de habilitação e abuso do álcool.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) divulgou o Boletim Epidemiológico do Programa Vida no Trânsito (PVT), que detalha o perfil das 104 mortes registradas nas vias urbanas ao longo do último ano.

O relatório acende um alerta vermelho sobre o perfil das vítimas: a grande maioria é composta por homens e condutores de motos.

O levantamento, assinado pela Vigilância Epidemiológica, mostra que os motociclistas continuam sendo o elo mais frágil da mobilidade cuiabana, representando 69% dos óbitos.

Na sequência das estatísticas fatais aparecem os pedestres (15%) e, por fim, os ocupantes de carros (9%). O impacto social da tragédia sobre as famílias é agravado pela faixa etária dos envolvidos: 83% dos mortos tinham entre 20 e 59 anos, o miolo da população economicamente ativa do município.

O gatilho das mortes: Madrugada, álcool e a falta de CNH

Ao cruzar os boletins de ocorrência e os prontuários das investigações, os técnicos identificaram os fatores de risco e o comportamento das pessoas ao volante. Um dado institucional chocante aponta que 30% dos motoristas e motociclistas envolvidos nos acidentes fatais não tinham Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

O relatório também mapeou as principais condutas que terminaram em mortes:

  • Velocidade acima do limite: Foi o principal fator associado à violência no trânsito, presente em 30,8% dos casos;

  • O fator relógio: 61,5% das colisões e atropelamentos fatais aconteceram na escuridão da noite ou durante a madrugada;

  • Dias críticos: Sábados e domingos concentram o grosso das ocorrências, impulsionados pela mistura clássica de baladas, bebidas alcoólicas e pressa na direção.

A gravidade dos impactos na capital é tamanha que dois terços das vítimas morrem na própria via, antes mesmo de receberem os primeiros socorros ou de serem colocadas dentro de uma ambulância do Samu.

O mapa do perigo: As avenidas mais letais de Cuiabá

O boletim georreferenciou os pontos críticos do município e identificou as vias estruturais que exigem maior atenção de pedestres e motoristas. O topo do ranking da letalidade ficou concentrado em cinco grandes artérias:

  1. Avenida Fernando Corrêa da Costa

  2. Avenida Historiador Rubens de Mendonça (Avenida do CPA)

  3. Avenida Miguel Sutil

  4. Avenida Helder Cândia

  5. Perímetro urbano da BR-364

Sobrecarga nos hospitais: Reflexo do asfalto na saúde pública

O impacto das ruas deságua diretamente nos leitos de saúde do município. Sendo o maior polo de atendimento a traumas e urgências do estado, o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) opera no limite para absorver o fluxo diário de acidentados.

A diretora-geral da unidade, Kelluby de Oliveira, pontuou que o trânsito violento drena recursos valiosos que poderiam ser usados em outras frentes da saúde pública. “Cada ocorrência mobiliza equipes multiprofissionais, leitos de UTI, centros cirúrgicos e uma estrutura de alta complexidade. Quando um acidente é evitado através da conscientização, preservamos vidas e liberamos a rede pública para atender outras demandas represadas”, explicou.

Os dados do boletim — construídos em parceria com a Secretaria de Mobilidade (Semob), Polícia Militar, PRF e Deletran — serão usados pelas pastas para traçar novas blitze de fiscalização, campanhas educativas nas escolas e intervenções de engenharia nas avenidas mapeadas como perigosas.

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